‘No momento, Talibã é mais forte que o Estado Islâmico-K’, afirma professor

Andrew Patrick Traumann, do UniCuritiba, explica que Talibã tem mais membros e mais renda no Afeganistão do que grupo que assumiu autoria de atentados em Cabul

Produzido por Thiago Felix e Alvaro Gadelha*da CNN*

São Paulo

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Apesar de assumir a autoria do atentado no aeroporto de Cabul desta semana, o grupo Estado Islâmico de Khorasan não tem potencial de tomar o Afeganistão como o Talibã, de acordo com o professor de História Andrew Patrick Traumann, do Centro Universitário Curitiba (UniCuritiba).

Em entrevista à CNN, Traumann lembrou que o Estado Islâmico-K surgiu em 2015, na região que leva o seu nome na Ásia Central.

“Entre 2016 e 2018, eles foram responsáveis por diversos ataques dentro do Afeganistão, ataques esses que passaram despercebidos por nós [do Ocidente]”, disse o especialista. “Mas o Estado Islâmico continuou bastante atuante nesse período e o principal problema é que eles veem o Talibã como um grupo muito soft“, completou.

Membros do Estado Islâmico-K entendem que o Talibã abandonou a jihad para negociar com os norte-americanos, explicou Traumann.

Por isso, ele acredita que novos atentados podem ocorrer no Afeganistão. Em especial, ataques imprevisíveis, tática característica do grupo original.

“As pessoas vão achar que se aconteceu um atentado agora, não vai acontecer outro na sequência — e vai. É sempre a lógica de causar o maior número de vítimas possível e, infelizmente, isso pode ocorrer [novamente].”

Mesmo assim, o professor explica que o número de integrantes do Estado Islâmico-K é muito inferior aos membros do Talibã, grupo consolidado e no poder do Afeganistão desde a saída das tropas dos EUA.

“No momento, o Talibã é mais forte que o Estado Islâmico-K. Eles têm cerca de 500 militantes, enquanto o Talibã somando toda a infraestrutura do país, é muito maior. É muito difícil para o Estado Islâmico-K confrontar o Talibã, que conta, também, com toda a renda do ópio — o Afeganistão é o maior produtor de ópio do mundo, a matéria-prima para a heroína, uma droga de muito valor no mercado.”

Combatentes do Talibã patrulham as ruas de Cabul nesta quinta-feira (19)
Combatentes do Talibã patrulham as ruas de Cabul / Reprodução

(*supervisionado por Elis Franco)

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