Número de mortos no terremoto no Haiti sobe para 1.297

Hospitais da área estão lotados após tremor de magnitude 7,2 registrado no sábado (14)

AnneClaire Stapleton e Mohammed Tawfeeq, da CNN

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O governo haitiano declarou estado de emergência depois que um terremoto de magnitude 7,2 atingiu o país no sábado (14), deixando pelo menos 1.297 pessoas mortas, de acordo com Jerry Chandler, chefe da agência de proteção civil do Haiti. Mais de 2.800 pessoas ficaram feridas.

A maioria das mortes ocorreu no sul do país, onde se sabe que 500 pessoas morreram. O terremoto destruiu 2.868 casas e danificou 5.410, disseram autoridades da agência haitiana. A destruição também deixou os hospitais no limite e bloqueou estradas que transportariam suprimentos vitais.

“Quando se trata de necessidades médicas, esta é a nossa maior urgência. Começamos a enviar medicamentos e pessoal médico para as instalações afetadas”, disse o primeiro-ministro haitiano, Ariel Henry. “Para as pessoas que precisam de cuidados especiais urgentes, evacuamos um certo número delas e vamos evacuar mais alguns hoje e amanhã.”

O estado de emergência está em vigor para o departamento oeste, departamento sul, Nippes e Grand’Anse.

 

Terremoto abala o país

O terremoto ocorreu às 8h30 de sábado, a cerca de 10 quilômetros de profundidade, com epicentro a cerca de 12 quilômetros a nordeste de Saint-Louis-du-Sud, na parte sudoeste do país. 

O terremoto de sábado foi muito menos prejudicial do que o de 2010 — que matou cerca de 220 mil a 300 mil pessoas. Uma missão de reconhecimento das Nações Unidas às áreas afetadas encontrou “danos menos significativos do que o inicialmente esperado”, disse no domingo o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários.

Terremoto de magnitude 7 registrado no Haiti
Terremoto de magnitude 7 registrado no Haiti
Foto: Reprodução/U.S. Geological Survey/Google

“Espera-se que as necessidades humanitárias mais urgentes estejam ligadas ao fornecimento de assistência médica e água, saneamento e higiene”, disse a organização.

Pedido de ajuda

Amethyste Arcelius, administrador do hospital Immaculate Conception, em Les Cayes, disse à CNN neste domingo que esperava uma grande onda de vítimas, incluindo muitas das áreas externas da cidade que não puderam viajar no sábado, ou que estavam com muito medo de novos tremores para tentar procurar ajuda médica.

“Estamos começando a receber ajuda de ONGs e do governo, mas está longe de ser suficiente. Precisamos desesperadamente de um raio-X”, disse Arcelius.

O hospital tem atualmente 500 vítimas do terremoto, muitas com pés e membros quebrados, além de ferimentos na cabeça.

Desafios

O terremoto é apenas o mais recente desafio para o país em dificuldades, que ainda está lidando com as consequências do terremoto de 2010. O assassinato do presidente Jovenel Moise no mês passado, que ainda não foi resolvido ou devidamente explicado, trouxe mais instabilidade a um país em crise.

“Estamos preocupados que este terremoto seja apenas mais uma crise em cima do que o país já está enfrentando — incluindo o agravamento do impasse político após o assassinato do presidente, Covid e a insegurança alimentar”, disse Jean-Wickens Merone, porta-voz da World Vision Haiti, em um comunicado.

Além disso, o Haiti deve experimentar ventos fortes e chuvas fortes da tempestade tropical Grace de segunda-feira (16) a terça-feira (17), disse o meteorologista Haley Brink, da CNN. Essa chuva pode causar inundações e deslizamentos de terra, complicando ainda mais os esforços de recuperação.

Crise política e miséria atrasam resgate a vítimas do terremoto no Haiti (14.Ago
Foto: Reprodução/CNN

Toda a costa do Haiti está sob vigilância de tempestade tropical, o que significa que as condições de tempestade tropical são possíveis em cerca de 48 horas, de acordo com o Centro Nacional de Furacões.

Vídeos mostram destruição 

Vídeos postados nas redes sociais dão um vislumbre da destruição generalizada após o terremoto. Um de Les Cayes mostra uma rua cheia de escombros e o que sobrou de vários edifícios. A poeira enche o ar.

Um homem no vídeo disse que teve sorte porque o prédio em que estava não desabou, mas muitas outras casas na área desabaram. “Há muitos feridos nas ruas”, disse ele.

Eveline Dominique Cherie, funcionária da Unicef em Les Cayes, disse à CNN neste domingo que o terremoto foi tão forte que “a casa balançou sem parar”.

“Tive que apressar meus filhos para saírem do quarto deles para a rua. Felizmente, não caiu. Nos momentos seguintes, a rua estava lotada de pessoas que haviam fugido de suas casas, feridos por toda parte, muitas casas desabadas”, disse Cherie.

Um hospital na cidade de Jeremie, no sul do país, disse que está lotado de pacientes e montou tendas em seu pátio.

Pessoas feridas são atendidas em hospital improvisado em Jeremie, no Haiti
Pessoas feridas são atendidas em hospital improvisado em Jeremie, no Haiti
Foto: Anadolu Agency via Getty Images (14.ago.2021)

“Há muita gente entrando, muita gente”, disse um administrador do Hospital Saint Antoine à CNN. “Não temos suprimentos suficientes.”

Desde junho, a violência de gangues armadas cortou algumas áreas afetadas pelo terremoto, tornando as consequências um desafio logístico, disse à CNN Jacqueline Charles, correspondente caribenha do Miami Herald.

“Este é um país que não tem acesso a helicópteros, além do que as Nações Unidas têm. Portanto, logisticamente, este é um grande desafio”, disse Charles a Fredricka Whitfield, da CNN.

Estados Unidos e outros países oferecem ajuda

Em um comunicado no sábado, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse estar “triste com o devastador terremoto que ocorreu em Saint-Louis du Sud, Haiti “.

“Enviamos nossas mais profundas condolências a todos aqueles que perderam um ente querido ou viram suas casas e negócios destruídos”, disse o comunicado. “Autorizei uma resposta imediata dos Estados Unidos e nomeei a administradora da USAID, Samantha Power, como a autoridade sênior dos Estados Unidos para coordenar esse esforço.”

Power disse no Twitter na noite de sábado que ela autorizou o envio de uma equipe de resposta de assistência a desastres da USAID para o Haiti e está coordenando com o governo haitiano para ajudar o país.

O sistema de resposta de emergência da Cruz Vermelha foi ativado e a organização está “identificando as necessidades urgentes no local”, disse a porta-voz da Cruz Vermelha americana, Katie Wilkes.

Os Médicos Sem Fronteiras estão se preparando para receber pacientes no Hospital Tabarre em Porto Príncipe, disse o conselheiro de comunicação, Tim Shenk.

Vários países latino-americanos disseram que também estão se preparando para apoiar o Haiti.

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