"O Irã tem a lei internacional do seu lado", diz especialista Michel Gherman
Especialista afirma que o país tem respaldo legal para desenvolver tecnologia nuclear, desde que não produza armas
O Irã está se apoiando em uma estrutura internacional de poder para rejeitar a proposta dos Estados Unidos de um novo acordo nuclear, segundo o professor Michel Gherman, coordenador do núcleo de estudos judaicos da UFRJ.
De acordo com o especialista, o Irã tem respaldo legal para sua posição. "O Irã não só tem razão como tem a lei internacional do seu lado", afirmou Gherman durante o WW. Ele explica que o país é signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, um acordo antigo dos anos 60.
Este tratado estabelece uma troca: os países signatários concordam em não desenvolver armas nucleares, mas mantêm o direito de desenvolver tecnologias relacionadas ao combustível nuclear. Essas tecnologias, embora possam eventualmente levar à obtenção de material físsil para fabricação de artefatos nucleares, são permitidas pelo acordo.
Desafio à ordem internacional
Gherman argumenta que o debate vai além da questão nuclear iraniana, tocando em aspectos mais amplos da ordem internacional. "Esse debate está por baixo do debate, quer dizer, o debate por cima é sobre armas nucleares, Irã e as negociações pontuais. Mas tem um debate além desse, que é o debate sobre uma nova ordem baseada na vontade de Trump e uma ordem baseada nas estruturas de poder consolidadas no pós 45", explica.
O especialista sugere que o Irã está se alinhando com a Organização das Nações Unidas e a dimensão da multilateralidade, em oposição a uma nova ordem proposta pelos Estados Unidos. Neste contexto, o país persa defende seu direito de desenvolver uma economia nuclear, desde que não produza armas nucleares, conforme estabelecido pelos acordos internacionais vigentes.


