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    O que acontece depois da aprovação dos venezuelanos para anexar parte da Guiana

    Governo de Nicolás Maduro disse que referendo teve 95% de aprovação

    O presidente venezuelano Nicolas Maduro fala durante campanha de encerramento antes do referendo para a defesa do território de Essequibo em Caracas
    O presidente venezuelano Nicolas Maduro fala durante campanha de encerramento antes do referendo para a defesa do território de Essequibo em Caracas Mariela Lopez/Anadolu via Getty Images

    David Shortellda CNN

    Por meio de um referendo, os venezuelanos aprovaram neste domingo (03), a anexação de uma região rica em petróleo, que hoje pertence à Guiana. A área é objeto de uma longa disputa territorial entre os dois países, alimentada pela recente descoberta de vastos recursos energéticos. O resultado foi divulgado pelo governo de Nicolás Maduro.

    A área em questão, a região densamente florestada de Essequibo, equivale a cerca de dois terços do território nacional da Guiana e é aproximadamente do tamanho do estado da Flórida, nos Estados Unidos.

    O referendo deste domingo (03), em grande parte simbólico, perguntou aos eleitores se eles concordavam com a criação de um estado venezuelano na região de Essequibo, “incorporando esse estado no mapa do território venezuelano.”

    Em uma coletiva de imprensa, que anunciou os resultados preliminares da primeira parcela de votos computados, o Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela disse que 95% dos eleitores escolheram o “sim”, pela anexação.

    No entanto, não está claro quais medidas o governo da Venezuela tomaria para fazer valer sua reivindicação.

    A Venezuela há muito tempo reivindica o território e argumenta estar dentro de suas fronteiras durante o período colonial espanhol.

    O governo venezuelano, no entanto, rejeita uma decisão de 1899 de árbitros internacionais que estabeleceu as fronteiras atuais, quando a Guiana ainda era uma colônia britânica.

    O presidente Nicolás Maduro lançou o referendo nas redes sociais.

    A Guiana chamou o movimento de um passo para a anexação e uma “ameaça existencial.”

    Na semana passada, o presidente da Guiana, Irfaan Ali, visitou as tropas em Essequibo e hasteou uma bandeira da Guiana em uma montanha com vista para a fronteira com a Venezuela.

    A Corte Internacional de Justiça, com sede em Haia, decidiu antes da votação que “a Venezuela deve abster-se de tomar qualquer ação que modifique a situação que atualmente prevalece no território em disputa.”

    O tribunal planeja realizar um julgamento sobre a questão, após anos de revisão e décadas de negociações fracassadas. No entanto, a Venezuela não reconhece a jurisdição do tribunal.

    O que acontece agora?

    O resultado da votação foi amplamente esperado na Venezuela, embora suas implicações práticas provavelmente sejam mínimas, dizem analistas. Especialistas afirmam que a criação de um estado venezuelano dentro do Essequibo é uma possibilidade remota.

    Não está claro quais medidas o governo venezuelano tomaria para dar continuidade ao resultado, e qualquer tentativa de afirmar uma reivindicação certamente será recebida com resistência internacional.

    Ainda assim, a retórica crescente levou a movimentos de tropas na região. A comunidade internacional comparou o caso com a invasão russa na Ucrânia. Muitos residentes na região predominantemente indígena estão no limite.

    “A longa disputa sobre a fronteira entre a Guiana e a Venezuela subiu a um nível de tensão sem precedentes nas relações entre nossos países”, escreveu o ministro das Relações Exteriores da Guiana, Robert Persaud.

    Mesmo sem implementar o referendo, que exigiria mais medidas constitucionais e o provável uso da força, Maduro pode ganhar politicamente com o voto em meio a uma campanha desafiadora de reeleição.

    Em outubro, a oposição venezuelana voltou a atacar Maduro devido à escassez de alimentos e à alta da inflação.

    “Um governo autoritário que enfrenta uma situação política difícil é sempre tentado a procurar uma questão patriótica para que ele possa se envolver na bandeira e reunir apoio, e acho que isso é uma grande parte do que Maduro está fazendo”, disse Phil Gunson do International Crisis Group.

    Este conteúdo foi criado originalmente em Internacional.

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