O que se sabe sobre o acidente com avião de carga da Amazon em Miami

Aeronave Boeing 767-300 saiu da pista ao pousar no Aeroporto Internacional de Miami, atingiu veículos e pegou fogo neste domingo (6)

Pete Muntean, Amanda Musa, Aaron Cooper e Karina Tsui, da CNN
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À medida que iniciava a descida sob nuvens carregadas sobre o Aeroporto Internacional de Miami, era difícil perceber à distância que havia algum problema com o Boeing 767-300 que levava o logotipo “Smile”, da Amazon, na cauda.

Mas, conforme o avião se aproximava do pouso no domingo (6), ficou claro que algo estava errado.

O avião parecia pairar no ar, segundo um vídeo publicado nas redes sociais, ultrapassando em muito a área habitual de pouso da Pista 30. Mesmo depois que dois dos trens de pouso tocaram o solo, o trem de pouso traseiro esquerdo continuou quicando sobre a pista.

Quando chegou ao fim da pista, o avião ainda estava a quase 130 milhas por hora, cerca de 209 km/h, segundo dados de rastreamento do Flightradar24.

A aeronave atravessou um pequeno trecho de grama e depois passou por uma cerca de arame com arame farpado. Barreiras de concreto instaladas para impedir a entrada de carros na área restrita do aeroporto foram destruídas quando o avião, com mais de 100 toneladas, seguiu em direção a uma avenida de quatro faixas.

Ao atravessar a via, a aeronave atingiu vários veículos — um deles ficou tombado de lado e retorcido em um arco que lembrava o logotipo na cauda do avião — antes de deslizar até parar em chamas, pouco antes de um estacionamento com dezenas de carros.

“O avião está pegando fogo!”, gritou um socorrista em um canal de rádio de emergência. “Fiquem atentos.”

Pelo menos cinco pessoas morreram e outras cinco ficaram feridas, embora ainda não esteja claro onde estavam as vítimas no momento do acidente nem qual é o estado de saúde dos pilotos resgatados da cabine. O NTSB (Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos) deve realizar uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira (7) sobre a investigação.

O acidente deixou o aeroporto de Miami operando com apenas duas das quatro pistas normalmente utilizadas em um movimentado feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos e levantou questionamentos sobre a necessidade de equipamentos melhores para impedir que aeronaves que ultrapassem o fim da pista deixem a área do aeroporto.

Veja o que se sabe até agora sobre o acidente.

Como o acidente aconteceu

O avião de carga tentou pousar por volta das 14h de domingo (6), no horário de Miami, em uma pista com mais de 2.700 metros de extensão. Mas a aeronave subiu acima da trajetória normal de aproximação da Pista 30 antes de perder altitude e voltar à posição adequada, segundo dados de rastreamento do Flightradar24.

Os dados também indicam que o avião atravessou uma tempestade que se formava enquanto se aproximava do aeroporto, uma entre várias tempestades que surgiram na região.

Durante o pouso, a direção do vento mudou repentinamente, segundo David Soucie, analista de segurança da CNN e ex-inspetor de segurança da FAA (Federal Aviation Administration). A mudança teria dado ao voo 7598 um vento de cauda, o que pode ter dificultado a redução da velocidade.

“Você ganha velocidade em vez de perder velocidade naquele momento”, disse Soucie.

Os pilotos não informaram aos controladores de tráfego aéreo qualquer problema com a aeronave antes do pouso, segundo as gravações da comunicação entre a tripulação e a torre.

O avião pousou quase paralelo ao solo, em vez de realizar a manobra padrão de “flare”, na qual o nariz da aeronave se eleva no último momento para que o trem de pouso traseiro toque o solo primeiro, segundo um vídeo publicado nas redes sociais.

Quando a aeronave parou perto do estacionamento após o fim da pista, um incêndio começou ao redor de seu motor direito, no lado direito quando se olha para a frente do avião, segundo imagens publicadas nas redes sociais.

Chamas e uma densa coluna de fumaça preta subiram da aeronave enquanto equipes de resgate corriam para o local e combatiam o incêndio com espuma retardante. Mais de 60 equipes de emergência e cerca de 200 bombeiros foram mobilizados, segundo o chefe do Corpo de Bombeiros de Miami-Dade, Raied “Ray” Jadallah, em entrevista coletiva no domingo (6).

Situação das vítimas

Cinco pessoas morreram, segundo Jadallah. Outras cinco ficaram feridas, sendo que três foram levadas em estado crítico para um centro de trauma.

Socorristas usaram uma escada para acessar o interior do avião por uma janela da cabine, segundo vídeo publicado nas redes sociais. Bombeiros retiraram várias vítimas que ficaram presas em veículos atingidos pelo avião, afirmou Jadallah.

Ainda não está claro se as pessoas que morreram estavam no avião, nos veículos atingidos durante o acidente ou em outro local.

Tipo de avião envolvido

O avião era um Boeing 767 de 32 anos que fazia a rota entre San Juan, em Porto Rico, e Miami.

A aeronave era operada pela 21 Air, empresa de transporte de cargas sediada na Carolina do Norte e com um centro de operações em Miami. A 21 Air presta serviços para várias empresas e é uma das nove companhias que operam voos para a Amazon Air, que realiza mais de 250 voos diários para transportar encomendas de clientes.

“Estamos profundamente abalados ao saber que cinco pessoas perderam a vida no incidente de hoje no Aeroporto Internacional de Miami”, disse a porta-voz da Amazon, Kelly Nantel, à CNN em comunicado. “Nossos mais profundos sentimentos estão com as famílias, entes queridos e todos os afetados por essa perda devastadora.”

Como o acidente afeta as viagens

O local do acidente e as operações de limpeza estão provocando atrasos. Voos com destino ao centro de operações do sul da Flórida deveriam sofrer atrasos médios de duas horas e meia, informou a FAA às 7h desta segunda-feira (7), no horário local.

Duas das quatro pistas do aeroporto ficarão fechadas durante a maior parte desta segunda-feira (7), segundo um aviso da FAA aos pilotos. A Pista 30, onde o Boeing 767 da Amazon tentou pousar, e a Pista 26L, localizada ao norte dela, ficarão fechadas até as 19h, no horário de Miami.

Até as 10h, 65 voos de chegada ou partida de Miami haviam sido cancelados e cerca de 140 estavam atrasados, segundo o site de monitoramento FlightAware.

Questionamentos sobre medidas de segurança

Saídas de pista — quando aviões deixam a área pavimentada destinada ao pouso ou à decolagem — são o tipo de incidente mais comum envolvendo aeronaves no mundo, segundo dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA).

Embora a causa do acidente de domingo (6) ainda esteja sob investigação, especialistas em aviação afirmaram que o Aeroporto Internacional de Miami não conta com um importante recurso de segurança que poderia ter impedido a aeronave de ultrapassar os limites do aeroporto e chegar a uma via pública.

O Engineered Material Arresting System, ou EMAS, consiste em uma série de blocos instalados no fim de uma pista. Apesar de parecerem sólidos, os materiais leves são projetados para serem comprimidos sob o peso de um avião.

“Quando o avião sai do fim da pista, as rodas entram nesse material. O avião para”, disse Mary Schiavo, analista de transportes da CNN e ex-inspetora-geral do Departamento de Transportes dos Estados Unidos.

“Um aeroporto cercado por uma área tão densamente povoada precisa de um sistema de barreira de segurança no fim dessas pistas para impedir que isso aconteça novamente”, afirmou.

A CNN procurou a FAA e o aeroporto para pedir comentários.

Sarah Dewberry, Amanda Jackson, Nayeli Jaramillo-Plata e Auzinea Bacon, da CNN, contribuíram para esta reportagem.

 

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