O que se sabe até agora sobre o avanço militar no Sudão

Primeiro-ministro foi preso, conselho formado por civis e militares foi dissolvido e manifestantes tomaram as ruas da capital Cartum após tentativa de golpe de Estado

Cidadãos sudaneses bloqueiam estrada após tentativa de golpe de Estado no país
Cidadãos sudaneses bloqueiam estrada após tentativa de golpe de Estado no país Reprodução/RASD Sudan Network/Reuters

Tim ListerMostafa SalemSalah Nasserda CNN

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Em uma tomada de poder do Sudão por parte de militares nesta segunda-feira (25), as forças militares do país dissolveram um conselho de governo formado com civis e detiveram o primeiro-ministro e outros oficiais, enfraquecendo a transição democrática do país.

Eis o que se sabe sobre a situação do Sudão até este momento:

Prisão de primeiro-ministro

O primeiro-ministro do Sudão, Abdalla Hamdok, foi colocado em prisão domiciliar pelas “forças militares” nesta manhã. A informação, antecipada por alguns veículos de imprensa, foi confirmada pelo Ministério da Informação do país em um comunicado no Facebook.

Vários altos funcionários do governo também foram presos e levados por homens vestindo uniformes da polícia militar, de acordo com testemunhos postadas nas redes sociais, bem como na Reuters e em outras mídias locais, citando fontes governamentais não identificadas.

Os presos incluem ministros do governo e membros do Conselho de Soberania do Sudão. A CNN ainda não conseguiu verificar as prisões de forma independente.

“Estado de emergência” decretado

Abdel Fattah al-Burhan, um oficial militar que chefiou o Conselho Soberano do Sudão, órgão de governo conjunto entre militares e civis, dissolveu o conselho e o governo de transição, anunciando um estado de emergência em todo o país.

Em uma declaração televisionada, al-Burhan anunciou que um “governo representativo independente e justo” assumirá o poder até que um novo seja eleito em 2023.

Vários artigos da constituição foram suspensos e os governadores de estado foram removidos, disse al-Burhan.

Chefe do exército do Sudão: compartilhamento de poder “tornou-se um conflito”.

O chefe das Forças Armadas do Sudão disse que o acordo de partilha do poder com membros civis do conselho soberano transitório do país “se tornou um conflito” nos últimos dois anos, “ameaçando a paz e a unidade” no Sudão.

“Isto fez com que os militares, como autoridade fundadora da [fase de transição], e mantenedor da responsabilidade nacional, protegessem a segurança e a proteção deste país”, disse o General Abdel Fattah al-Burhan, que chefiou o conselho.

“Sentimos uma obrigação enquanto militares, Forças de Apoio Rápido e outros membros de aparelhos de segurança do país viam o perigo, a tomar medidas para proteger as resoluções da Revolução de dezembro”, acrescentou Burhan.

Manifestantes entram em confronto com militares

Cidadãos sudaneses bloqueiam estrada após tentativa de golpe de Estado no país / Reprodução/RASD Sudan Network/Reuters

Após o início do que se chamou de uma tentativa de golpe de Estado no Sudão, diversos conflitos entre manifestantes e militares foram registrados no país.

Tiros foram disparados contra protestantes do lado de fora de um quartel militar do Sudão na capital Cartum. Segundo publicado pelo Ministérios das Informações no Facebook, houve fatalidades, mas a pasta não esclareceu quantos ou quem teria atirado contra os presentes.

Milhares de pessoas seguiram em direção ao Quartel General Militar após as primeiras notícias de um aparente golpe na manhã desta segunda, segundo mostram imagens publicadas nas redes sociais. Algumas pessoas cortavam cercas de aço que foram posicionadas ao longo das ruas da cidade.

Em outros vídeos que aparentemente foram filmados nas proximidades do quartel, as multidões pareciam correr em pânico, mas não ficou claro o porquê. Alguns veículos de mídia reportaram tiros na região, mas a situação não pôde ser confirmada pela CNN.

Os protestantes também bloquearam três das principais pontes de acesso à capital Khartoum. Um dos bloqueios conectava a cidade Omdurman até a capital e também fornecia acesso ao palácio presidencial. Relatos também deram conta de bombas de gás jogadas na direção da população que ocupava o local.

Forças de segurança, incluindo membros do exército e de uma poderosa unidade paramilitar chamada de Forças de Apoio Rápido estavam patrulhando as ruas, acrescentou a testemunha.

Voos e internet suspensos

Os voos do Aeroporto Internacional de Cartum também foram suspensos, disse uma fonte da Autoridade de Aviação Civil à CNN, enquanto o Ministério da Informação disse que os serviços de internet foram “cortados das redes de telefonia móvel e as pontes foram fechadas pelas forças militares

O site de monitoramento da Internet NetBlocks relatou interrupção da Internet no Sudão nesta segunda-feira, dizendo: “Sudão em meio a relatos de golpe militar e detenção do primeiro-ministro; dados de rede em tempo real mostram conectividade nacional em 34% dos níveis normais; incidente em andamento.”

Uma fonte em Cartum informou à CNN que as chamadas não estão sendo conectadas para as pessoas no Sudão e que a internet está desligada.

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