O que se sabe sobre a morte de Lindsey Graham, senador aliado de Trump

Republicano da Carolina do Sul teve dissecção aórtica, segundo relatório preliminar da autópsia

Da CNN
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O senador americano Lindsey Graham, republicano da Carolina do Sul, morreu na noite de sábado (11) devido a uma ruptura em uma artéria, segundo conclusões preliminares de um médico legista.

A dissecção aórtica é uma condição rara e, na maioria dos casos, representa risco de morte, afirmam especialistas.

Senador reclamou de dores no peito

O senador republicano Tommy Tuberville disse que um integrante de sua equipe estava com o responsável pela agenda do senador Lindsey Graham na noite de sábado, quando o senador ligou para ela para reclamar de dores no peito e pedir que ela chamasse o serviço de emergência.

“Lindsey ligou e disse: ‘Escute, estou sentindo dores no peito. Preciso fazer alguma coisa’”, disse Tuberville a repórteres na segunda-feira (13), relatando o que lhe foi contado pelos envolvidos.

Tuberville afirmou que a responsável pela agenda de Graham perguntou se ele havia ligado para o serviço de emergência (911), e Graham respondeu: “Não, foi por isso que liguei para você”. “Quando ela chegou lá, o pessoal da emergência já havia arrombado a porta e estava prestando socorro a ele”, disse ele.

O relato do senador acrescenta novos detalhes sobre o que aconteceu antes da morte de Graham, parecendo confirmar alguns aspectos do que se sabe sobre uma chamada de emergência relacionada ao caso.

A CNN havia noticiado anteriormente que equipes de emergência foram enviadas a um endereço em Washington, D.C., associado a Graham, por volta das 20h30 no horário local, após um chamado sobre alguém com dores no peito, conforme indicava o áudio da central de despacho no site Broadcastify. O áudio mostra que alguém ligou de Baltimore informando que estava a caminho da residência.

Graham havia acabado de retornar de uma viagem à Ucrânia, e o presidente Donald Trump disse à CNN que conversou com ele pouco antes de sua morte. O presidente afirmou que eles discutiram a legislação de identificação de eleitores proposta por Graham — a lei “SAVE America Act” — e as viagens recentes do senador.

“Ele disse: ‘Estou cansado porque é uma viagem longa’, mas, fora isso, ele estava... ele estava bem”, recordou Trump.

O que diz a autópsia?

Taylor Reidy, diretor de comunicações de Graham, disse anteriormente que o escritório do médico legista de Washington (DC) constatou, preliminarmente, que o senador morreu devido a complicações decorrentes de uma dissecção aórtica causada por doença cardiovascular arteriosclerótica — essencialmente uma ruptura na camada interna da aorta, a principal artéria do corpo. A dissecção aórtica não é um ataque cardíaco, mas os sintomas — incluindo dor no peito ou no estômago, falta de ar e perda de consciência — muitas vezes se assemelham aos de condições mais comuns.

O laudo final da autópsia ainda está pendente. Além disso, o senador republicano John Cornyn disse a repórteres que gostaria que o relatório toxicológico de Graham fosse divulgado “para descartar qualquer suspeita de crime” e acabar com quaisquer teorias falsas que estejam circulando na internet.

“Nós... veja, eu vi o diagnóstico inicial de dissecção da aorta — o que é terrível; quero dizer, obviamente, isso poderia causar a morte dele —, mas, considerando onde ele estava e as causas que defendia, acho que deveríamos esclarecer todas essas questões verificando o que os relatórios toxicológicos mostram”, disse Cornyn.

Tuberville disse que o responsável pela agenda de Graham — que ligou para a emergência no sábado — já havia trabalhado em seu gabinete e estava em um restaurante assistindo à Copa do Mundo com um de seus assessores quando Graham ligou.

“Lindsey, basicamente, trabalhou até a exaustão”, disse Tuberville. “A maioria de nós tem família. Ele não tinha família e, se tivéssemos alguns dias de folga, ele ia para o aeroporto. Ele viajava para algum lugar para tentar resolver algo pelo nosso país.”

O que é uma dissecção aórtica?

A aorta é o maior vaso sanguíneo do corpo e o primeiro por onde o sangue passa ao ser bombeado do coração para outras partes do organismo.

A dissecção aórtica ocorre quando há uma ruptura na aorta, o que interrompe o fluxo sanguíneo essencial.

A Dra. Barbara Hamilton, professora assistente de cirurgia cardíaca especializada em cirurgia da aorta na Universidade de Michigan, afirma que a aorta é como uma cebola, com muitas camadas. Pode ocorrer uma ruptura na camada interna da aorta, criando uma "falsa via" para o sangue — permitindo que ele flua entre as camadas do vaso sanguíneo em vez de chegar a órgãos importantes, explicou ela.

Uma dissecção também pode romper todas as camadas da aorta de uma só vez, o que “é basicamente como se o seu coração estivesse explodindo”, disse o Dr. John Trahanas, cirurgião cardíaco e codiretor do Centro de Aorta da Vanderbilt.

Por que ele morreu de repente?

A dissecção da aorta geralmente ocorre de forma repentina, muitas vezes sem aviso prévio.

“Não é algo que progride lentamente ao longo do tempo”, explica a Dra. Hamilton. “Não existe aquela dor no peito insidiosa, que surge aos poucos e vai e volta, persistindo por um tempo. Quando ela atinge, geralmente é uma dor de intensidade 10 em uma escala de 10.”

Especialistas afirmam que a condição pode se assemelhar a um ataque cardíaco ou a um acidente vascular cerebral (AVC). Na maioria dos casos, ocorre dor no peito que se irradia para as costas. Às vezes, manifesta-se como dor ou dormência nas pernas, caso a dissecção impeça a circulação sanguínea adequada por todo o corpo.

Cerca de metade das pessoas que sofrem uma dissecção da aorta morre antes de receber atendimento de emergência, dada a natureza súbita e grave do evento.

No entanto, para outras, o atendimento rápido é fundamental. A cirurgia de emergência para reparar a artéria precisa ser realizada nas primeiras horas, diz o Dr; Trahanas. A grande maioria dos pacientes que conseguem passar pela cirurgia — cerca de 80% — sobrevive, afirmou ele. Contudo, o risco de morte aumenta cerca de 2% a cada hora de atraso no procedimento.

Teorias da conspiração

A morte de Lindsey Graham rapidamente gerou teorias de que algum governo estrangeiro estaria por trás do ocorrido.

A ativista da ultradireita Laura Loomer destacou o fato de que o senador havia acabado de visitar a Ucrânia para defender sanções contra a Rússia. O comentarista conservador Marc Thiessen mencionou os supostos assassinatos de opositores pelo presidente russo Vladimir Putin e afirmou que "não é teoria da conspiração sugerir que algo mais possa estar em jogo".

Outros levantaram a hipótese de envolvimento do Irã, observando que o regime iraniano também já havia criticado Graham por sua postura belicista.

O ativista do movimento MAGA, Matt Van Swol, disse que a morte repentina de Graham "não faz sentido algum".

Uma postagem do diretor do FBI, Kash Patel,  nas redes sociais também exaltou os ânimos: "O FBI está auxiliando as autoridades locais e disponibilizou todos os recursos necessários", disse o diretor sobre a morte de Graham. Muitos se perguntaram por que o FBI estaria envolvido se o senador tivesse morrido de causas naturais.

O próprio Trump descartou teorias da conspiração sobre a morte de Graham em uma entrevista à Newsmax na noite de segunda-feira: "Eu adoraria dizer que sim, mas acho que ele tinha alguns problemas", acrescentando que o pai de Graham "faleceu mais ou menos na mesma idade".

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