Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    O que se sabe sobre o ataque a Paul Pelosi, marido da presidente da Câmara dos EUA

    Novos detalhes das investigações dizem que agressor estava em “missão suicida”

    Nancy Pelosi e o marido Paul em Washington
    Nancy Pelosi e o marido Paul em Washington 8/12/2019 REUTERS/Joshua Roberts

    Paul LeBlancda CNN

    Novos detalhes das investigações sobre o ataque a Paul Pelosi, marido da presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, apontam que o suposto agressor disse à polícia que estava em uma “missão suicida” e tinha uma lista de outros alvos.

    Documentos judiciais divulgados na terça-feira (1º), mostram que o homem preso no caso, David DePape, teria acordado Paul Pelosi ao ficar ao lado de sua cama e o impediu de escapar. Ele exigia saber o paradeiro da presidente da Câmara.

    “Este não foi um ato aleatório de violência. Este não foi um roubo residencial aleatório. Isso é algo que foi especificamente visado”, disse a promotora do distrito de São Francisco, Brooke Jenkins, na terça.

    ‘Missão suicida’

    DePape afirmou aos policiais e médicos no local que estava cansado do “nível de mentiras” presente em Washington e foi à casa da vítima para “conversar um pouco com a esposa [de Paul Pelosi]”, segundo processo judicial na terça.

    “Eu realmente não queria machucá-lo, mas você sabe que esta foi uma missão suicida. Não vou ficar aqui sem fazer nada, mesmo que isso me custe a vida”, disse DePape.

    Comentários do anúncio

    O agressor nomeou vários alvos, de acordo com o documento, incluindo políticos estaduais e federais proeminentes e seus parentes.

    Questionado por Erin Burnett, da CNN, sobre os supostos planos de DePape, a promotora Brooke Jenkins disse que “havia outros funcionários públicos que aparentemente eram alvos dele”. Ele tem colaborado com a polícia e foi submetido a uma longa entrevista antes de obter representação por meio de um advogado, de acordo com o promotor público.

    O caso, disse Jenkins, ainda é “muito recente” e ela se recusou a dar detalhes específicos sobre quem seriam potenciais alvos

    Suposto carregava martelo

    Documentos judiciais divulgados na terça-feira revelaram novos detalhes sobre o episódio. DePape teria acordado Paul Pelosi pouco depois das 2h. Ele estava ao lado da cama da vítima, carregando um grande martelo e várias braçadeiras brancas, como a CNN relatou anteriormente.

    “Você é Paul Pelosi?” perguntou DePape, dizem os documentos. Ele então exigiu saber: “Onde está Nancy? Onde está Nancy?”. Paul Pelosi, então, respondeu: “Ela não está aqui”.

    O suspeito então ameaçou amarrar Paul Pelosi e o impediu de escapar pelo elevador. Paul Pelosi perguntou a DePape por que ele queria ver sua esposa. “Bem, ela é a número dois da Presidência, certo?”, respondeu DePape.

    O agressor chegou a permitir que Paul usasse o banheiro, momento no qual a vítima conseguiu utilizar seu telefone celular para ligar para o 911, de acordo com os documentos do tribunal. Ele falou com a polícia brevemente por meio de falas enigmáticas e conseguiu se identificar sutilmente para o policial, que então conseguiu escalar a ligação.

    Após a conversa, os dois homens desceram ao andar de baixo da casa. DePape estava atrás e carregava o martelo e as braçadeiras. No andar de baixo, DePape, observando que a polícia chegaria em breve, disse: “Posso acabar com você”. Ele, então, caminhou até Paul enquanto segurava o martelo na posição vertical.

    Os policiais chegaram ao local neste momento. Depois, Paul abriu a porta e os cumprimentou, um deles acendeu a lanterna e viu os dois homens – vítima e agressor – segurando pontas opostas do martelo, de acordo com os documentos do tribunal.

    Um oficial ordenou que eles soltassem o martelo, mas DePape o puxou para longe de Paul, “imediatamente recuou e atacou Pelosi, atingindo-o na cabeça com força total com o martelo, o que o deixou inconsciente”.

    “Os policiais correram para dentro da casa, abordaram o agressor e o desarmaram. Paul permaneceu sem responder por cerca de três minutos, acordando em uma poça de seu próprio sangue”, diziam os documentos.

    Como a polícia do Capitólio dos EUA soube do arrombamento

    A polícia do Capitólio dos EUA soube do arrombamento na casa de São Francisco cerca de dez minutos após o ataque, quando um oficial notou luzes e sirenes da polícia em uma câmera ao vivo no centro de comando da Polícia do Capitólio em Washington, de acordo com uma fonte informada. no ataque.

    A CNN informou anteriormente que pode existir um vídeo do arrombamento, pois há câmeras de segurança na casa, de acordo com duas fontes policiais.

    DePape no tribunal

    DePape entrou com uma declaração de inocência na terça-feira a todas as acusações estaduais durante sua aparição inicial no tribunal.

    Ele foi acusado de uma série de crimes, incluindo agressão, tentativa de assassinato e tentativa de sequestro. A acusação de tentativa de sequestro pode levar a até 20 anos de prisão. Ele ainda não entrou com recurso na Justiça Federal.

    A juíza Diane Northway marcou uma audiência para o próximo dia 4, no Tribunal Superior de São Francisco. A ideia é definir uma data para a audiência preliminar e o estabelecimento da fiança.

    O advogado de DePape, Adam Lipson, afirmou, fora do tribunal, que “houve muita especulação, muitos rumores, simplesmente com base na natureza deste caso”.

    Violência é alerta sobre segurança

    O chefe de polícia do Capitólio dos EUA, Tom Manger, disse na terça-feira que, após reavaliar o incidente, entende que o clima político atual exige mais recursos para a segurança dos congressistas. “O clima político de hoje exige mais recursos para fornecer camadas adicionais de segurança aos membros do Congresso”, disse Manger em comunicado por escrito.

    A deputada democrata da Califórnia, Zoe Lofgren, disse a Brianna Keilar, da CNN, na terça-feira, que os legisladores não estarão mais seguros “até que denunciemos qual é a causa raiz dessa violência política”.

    Apoiadores de Trump criam teoria da conspiração

    Apoiadores do ex-presidente Donald Trump – incentivados por falas do republicano – criaram teorias da conspiração infundadas sobre o ataque.

    “São coisas estranhas acontecendo naquela casa nas últimas semanas”, disse Trump. “Você sabe, provavelmente, e é melhor eu não falar sobre isso. O vidro, ao que parece, foi quebrado de dentro para fora e, você sabe, não foi um arrombamento”, disse o ex-presidente ao apresentador de rádio conservador Chris Stigall, alegando que a janela teria sido quebrada de dentro para fora.

    Trump continuou dizendo que “não é fã de Nancy Pelosi”, mas que o que aconteceu foi “muito triste”.

    Nos dias que se seguiram ao ataque, várias figuras proeminentes de direita divulgaram teorias da conspiração sobre o ataque – incluindo que Paul Pelosi e o intruso eram amantes gays que brigaram.

    *Publicado por Daniel Reis