Reino Unido está chegando ao ‘pior ponto’ da pandemia, dizem autoridades

País tem mais de de 30 mil pacientes hospitalizados neste momento; durante o primeiro pico da pandemia, em abril, número era de 18 mil

Luke McGee, da CNN

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O Reino Unido está chegando às semanas mais desafiadoras desde o início da pandemia Covid-19, disse um funcionário britânico de alto escalão nesta segunda-feira (11). O país vive aumento na lotação de hospitais e de necrotérios.

“Estamos agora no pior ponto desta epidemia para o Reino Unido. No futuro, teremos a vacina, mas os números, no momento, são maiores do que no pico anterior – e a diferença é grande”, disse o diretor médico da Inglaterra, Chris Whitty, à BBC, acrescentando esperar que as próximas semanas sejam “os momentos mais perigosos”.

O país, que já sofreu mais mortes em decorrência da doença do que qualquer outra nação europeia e recentemente se tornou o quinto país do planeta a atingir a marca de três milhões de casos, está prestes a ver seus hospitais sobrecarregados.

Whitty disse à BBC que há mais de de 30.000 pacientes hospitalizados neste momento. Durante o primeiro pico da pandemia no Reino Unido, em abril, o número era de 18.000.

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“Estamos agora em uma situação em que, no Reino Unido como um todo, cerca de uma em cada 50 pessoas está infectada, e em Londres cerca de uma em 30”, disse Whitty. “Há uma grande chance de que se você encontrar alguém sem que haja real necessidade, essa pessoa terá Covid.”

O aviso acontece pouco menos de uma semana depois que o país entrou no terceiro lockdown e enquanto cresce o temor de que os britânicos estejam desistindo, cada vez mais, de cumprir as regras: o número de casos continua aumentando no país, apesar das medidas extremas.

Whitty enfatizou que minimizar o contato com outras pessoas impedirá que a situação piore.

“Cada contato desnecessário que qualquer um de nós tenha é um elo potencial em uma cadeia de transmissão que eventualmente vai chegar em alguém vulnerável”, disse. “Então, a questão essencial é que todos nós pensemos: realmente precisamos desse contato físico?”

A fala de Whitty foi dada enquanto o número de mortes diárias no Reino Unido permanece muito alto, um ponto severamente ilustrado pelo fato de que em um condado no sul da Inglaterra, os corpos estão sendo armazenados em uma instalação temporária, já que os necrotérios estão lotados.

A instalação temporária em Surrey, ao sul de Londres, pode acomodar 800 corpos extras, além dos 600 que podem ser mantidos em necrotérios da região.

Homem com máscara caminha com seu cachorro em Greenwich, Londres
Homem com máscara caminha com seu cachorro em Greenwich, Londres
Foto: Adam Oliver – 04.mai.2020/Reuters

Um porta-voz dos serviços de segurança e saúde locais disse à agência de notícias britânica PA que “para dar uma perspectiva sobre essa situação, durante a primeira onda, 700 corpos foram colocados nessa instalação (temporária). A primeira onda durou aproximadamente 12 semanas – desde meados de março a meados de maio. Desde 21 de dezembro, após apenas duas semanas e meia, 300 corpos já passaram por lá.”

O Reino Unido está à frente na corrida pela da vacinação contra a Covid-19 e, nesta segunda-feira, o governo deve divulgar a estratégia para alcançar a meta de vacinar 13 milhões de pessoas até 15 de fevereiro.

Grande parte do programa ficará a cargo de postos de vacinação de todo o país – o primeiro deles abre nesta segunda-feira – e de um exército de voluntários treinados para aplicar as doses.

As boas notícias de que dois milhões de pessoas foram vacinadas se misturaram aos relatos de escassez da vacina em alguns hospitais britânicos. Ainda não se sabe o que motivou a situação e o governo tem enfrentado críticas à maneira como está priorizando a distribuição das doses que possui.

Se os piores temores de Whitty se tornarem realidade, o Serviço Nacional de Saúde (NHS, na sigla em inglês) estará sob enorme pressão ao tentar lidar com um número sem precedentes de internações hospitalares, lidar com cadáveres, vacinar os cidadãos mais vulneráveis ??e, ao mesmo tempo, realizar os trabalhos do cotidiano.

O governo britânico espera que os alertas severos de Whitty obriguem os cidadãos a cumprir as medidas para impedir a propagação do vírus.

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