Objetivo final de Putin é mudança de regime na Ucrânia, afirma Eurasia
À CNN, diretor do Eurasia Group considera que sucesso de negociação entre países depende de mudança de postura da Rússia
O objetivo final do presidente da Rússia, Vladimir Putin, com a invasão da Ucrânia é derrubar o governo ucraniano atual e realizar uma mudança de regime, segundo o diretor para as Américas do Eurasia Group, Christopher Garman.
Em entrevista à CNN, ele afirmou neste domingo (27) que a consultoria está "cética em relação ao encontro" anunciado entre Rússia e Ucrânia na próxima segunda-feira (28).
"Pode ter algum tipo de início de tratativa de negociação, mas estamos vendo que as forças russas encontraram algumas resistências mais fortes que o esperado, estão recalibrando estratégias, trazendo ninhos de suprimentos, houve uma certa pausa, mas sem uma capitação total das forças ucranianas, que acho muito difícil que ocorra agora, o fracasso das conversas pode dar um pretexto para as forças russas iniciarem uma segunda onda de investida contra a capital", avalia.
Segundo ele, o pretexto de iniciar conversas para depois realizar ataques no país é um padrão que Putin já seguiu anteriormente. "O objetivo final de Putin é a mudança de regime na Ucrânia e assumir o controle do país e da capital. A despeito dessa dificuldade militar nas últimas 48 horas, acreditamos que as forças russas têm condições de atingir esses objetivos".
Na visão dele, as negociações só teriam condições de êxito se houvesse uma mudança de estratégia do lado da Rússia, o que aconteceria se Putin "chegasse à conclusão que o custo econômico seria maior que está esperando".
Mesmo assim, Garman destaca que os Estados Unidos e os países da Europa têm "agido fortemente" para dar um sinal de isolamento à Rússia, tentando não apenas deter ações de curto prazo, mas sinalizar que, caso Putin leve a situação às últimas consequências, "os custos para a Rússia vão ser muito grandes em termos econômicos e diplomáticos".
Nesse sentido, o analista considera que será "cada vez mais difícil" para o Brasil manter uma posição de neutralidade em relação ao conflito, como defendido recentemente pelo presidente Jair Bolsonaro.
"Olhando para frente, os países da Europa e os EUA vão colocar enorme pressão para países como o Brasil para poder se posicionarem contra essa agressão contra a Ucrânia. A posição do Brasil de manter as portas abertas para os dois países não é estável ao longo do tempo, e a tendência é que o Brasil assuma posições mais contrárias à invasão da Ucrânia porque o custo de fazer isso vai crescendo ao longo do tempo", diz.
Garman afirma que a guerra na Ucrânia "não vai embora tão cedo", e que "dificilmente vamos voltar para o status quo anterior, muito provavelmente estamos com uma variante de uma nova Guerra Fria entre EUA e Rússia. Mudou a geografia de segurança na Europa, então manter relações com a Rússia vai ser mais complicado daqui pra frente. Esse dilema que o presidente Bolsonaro vive é uma transição para essa nova realidade, e vai ter vários momentos em que essa ambiguidade vai ser cada vez mais difícil de se manter".
Veja imagens da invasão da Ucrânia pela Rússia


