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    Reunião da Assembleia-Geral da ONU é mais simbólica que prática, diz especialista

    Para especialista, guerra na Ucrânia reforçou questionamentos sobre a efetividade da ONU e sua capacidade de evitar conflitos

    João Pedro Malarda CNN

    em São Paulo

    A aprovação pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) de uma reunião extraordinária da Assembleia-Geral da organização é uma atitude “mais simbólica do que prática”, avalia Bárbara Motta, professora da UFS.

    Em entrevista à CNN neste domingo (27), ela afirmou que “essa reunião que foi aprovada agora pelo Conselho de Segurança tem um cunho simbólico muito forte. Há muito tempo o Conselho de Segurança não se vale desse mecanismo, chamado Unidos pela Paz, para convocar uma reunião da Assembleia-Geral que fale de questões de segurança”.

    Ela diz que a organização da ONU coloca o Conselho com a principal prerrogativa sobre o tema de segurança, e não a Assembleia, o que mostra que a convocação é uma “tentativa de expandir o rol de países que possam dialogar e se manifestar sobre essa questão para que nessa expansão exista uma maior movimentação e pressão em relação à Rússia, provavelmente fazendo uma crítica, uma negativa, em relação às movimentações militares”.

    Nesse sentido, ela acredita que o simbolismo da decisão “importa”, mostrando uma coesão da comunidade internacional em relação aos atos da Rússia. “A ONU nunca vai ser capaz de coibir uma atuação de grandes potências, não foi capaz de fazer isso na invasão do Iraque pelos EUA em 2002 ou agora com a Rússia”, diz, mas o cenário gera um “debate”.

    A situação, diz Motta, reforçou questionamentos sobre a efetividade da ONU e sua capacidade de evitar conflitos, assim como “em que medida é sustentável ter uma organização internacional em que um grupo seleto de países possui poder de veto. As dinâmicas de poder hoje são muito diferentes da do pós-Segunda Guerra Mundial, quando a instituição foi criada, e nos próximos 50 anos também vão ser diferentes”.

    Além disso, ela afirma que “todo esse debate no Conselho e a transferência dessa prerrogativa para a Assembleia traz outro questionamento: se não tivesse o recurso do veto, seria possível construir uma organização de segurança coletiva dentro da ONU? Os países com poder de veto aceitariam perdê-lo em uma eventual reorganização?”.

    Já sobre os diálogos entre Rússia e Ucrânia anunciados para a próxima segunda-feira (28), Motta afirma que possíveis avanços no diálogo dependerão das próximas movimentações militares e alvos russos.

    “Pode ser que canal de negociações fique mais aberto na medida em que a Rússia se sinta mais confortável de dialogar quais serão os próximos passos, iniciativas em relação à Ucrânia, porque vai se ver em uma posição de poder em relação ao seu adversário”, diz.