OMC cancela Conferência Ministerial na Suíça devido à variante Ômicron

Cúpula bianual já havia sido adiada em 2020 devido à pandemia

Restrições de viagens por parte de alguns países impossibilitaram cúpula da OMC
Restrições de viagens por parte de alguns países impossibilitaram cúpula da OMC Divulgação/OMC

Luciana Dyniewicz, do Estadão Conteúdo

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A Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), que deveria ocorrer a partir de terça-feira (30) em Genebra, na Suíça, foi adiada devido ao surto da nova cepa do novo coronavírus, a variante Ômicron. Não há previsão de quando a reunião deverá ocorrer.

A decisão de suspender a principal cúpula do órgão foi tomada pelo seu conselho geral na noite de sexta-feira (26) após alguns países imporem restrições de viagem que impedem que ministros cheguem ao encontro – a Suíça também adotou medidas de restrição.

A cúpula, que é bianual, deveria ter ocorrido em junho de 2020 no Cazaquistão, mas já havia tido a data e a sede alterados por causa da pandemia. A última Conferência Ministerial ocorreu há quatro anos, em Buenos Aires, e esperava-se que, agora, fossem criadas as condições para que a reforma do órgão começasse a avançar.

Na quinta-feira (25), a diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, afirmou, em entrevista coletiva, que o encontro já havia começado informalmente, pois vários ministros já estavam em Genebra. “As coisas estão andando”, comentou.

Okonjo-Iweala também afirmou que esperava que a conferência permitisse à OMC avançar em temas relacionados à pandemia, como contratos e doações de vacinas mais transparentes, além de investimentos de fabricantes em produção de imunizantes de forma mais descentralizada geograficamente. “Seria bom se conseguíssemos um pacote nessas linhas”.

A diretora-geral do órgão destacou, porém, que as negociações para suspender os direitos de propriedade intelectual das vacinas contra a Covid-19 estavam travadas. “O caminho formal está parado. Tentamos coisas de maneira informal, mas as conversas também pararam”, disse.

A quebra das patentes dos imunizantes foi sugerida por Índia e África do Sul na OMC e recebeu o apoio dos Estados Unidos, mas foi rejeitada por países europeus. O Brasil era contra a proposta, mas busca agora um acordo “consensual”. “Esperamos que os ministros apresentem uma resposta à pandemia que inclua um meio-termo sobre propriedade intelectual”, disse na quinta-feira.

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