Mundo entra em alerta após descoberta da variante Ômicron

Países correm para testar viajantes oriundos de países do sul da África, e cientistas buscam mais informações sobre potencialidade de mutações da nova cepa

Enfermeira com testes de Covid-19 no Aeroporto de Sydney, Austrália
Enfermeira com testes de Covid-19 no Aeroporto de Sydney, Austrália Getty Images

Giovanna Galvanida CNN*

em São Paulo

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A descoberta da variante Ômicron do coronavírus nesta semana fez com que o mundo entrasse novamente em alerta máximo para possíveis agravamentos da pandemia de Covid-19.

A cepa foi relatada pela primeira vez à Organização Mundial de Saúde (OMS) pela África do Sul no dia 24 de novembro. “Esta variante apresenta um grande número de mutações, algumas das quais preocupantes. A evidência preliminar sugere um risco aumentado de reinfecção com esta variante, em comparação com outras variantes de preocupação”, informou a OMS em um comunicado.

O Centro Europeu para a Prevenção de Controle e Doenças afirmou, na sexta-feira, que havia um risco “grande” da nova variante se espalhar pela Europa.

Ao menos 35 países, incluindo o Brasil, passaram a impor novamente restrições parciais ou completas à entrada de viajantes de nações do sul da África.

Até o momento, 8 nações já apresentaram casos confirmados da nova variante – África do Sul, Bostuana, Hong Kong, Israel, Bélgica, Reino Unido, Itália e Alemanha –, e outros tentam identificar possíveis infecções pela Ômicron em casos suspeitos de Covid-19.

Na sexta-feira (26), autoridades de saúde da Holanda disseram que 61 pessoas que chegaram a Amsterdã em voos vindos da África do Sul testaram positivo para a Covid-19. Os viajantes vão realizar novos testes neste sábado (27) para ver se alguma das infecções é da variante Ômicron.

O GGD Kennemerland, serviço municipal de saúde responsável pelo aeroporto Schiphol, de Amsterdã, disse que os resultados positivos dos testes seriam examinados o mais rápido possível. Aqueles que apresentaram resultados positivos foram enviados para o isolamento em um hotel próximo, acrescentaram as autoridades holandesas.

Mas enquanto a OMS designou a Ômicron como uma “variante de preocupação” na sexta-feira, ela enfatizou que mais pesquisas são necessárias para determinar se a variante é mais contagiosa, se causa Covid-19 mais grave e se ela poderia escapar das vacinas.

“Esta variante tem um grande número de mutações, e algumas destas têm algumas características preocupantes”, disse Maria Van Kerkhove, líder técnica da OMS para a Covid-19, numa declaração na sexta-feira.

“Neste momento, há muitos estudos em andamento. Até agora há pouca informação, mas esses estudos estão em andamento, então precisamos que os pesquisadores tenham tempo para realizá-los e a OMS informará o público e nossos parceiros e nossos estados membros assim que tivermos mais informações”, acrescentou ela.

Lawrence Young, virologista e professor de oncologia molecular na Warwick Medical School no Reino Unido, disse que a variante Omicron era “muito preocupante”.

“É a versão mais mutante do vírus que vimos até hoje. Esta variante traz algumas mudanças que já vimos anteriormente em outras variantes, mas nunca todas juntas em um único vírus. Ela também tem novas mutações”, disse Young em uma declaração.

A variante tem um alto número de mutações, cerca de 50 no total. De modo crucial, os cientistas genômicos sul-africanos disseram na quinta-feira que mais de 30 das mutações foram encontradas na proteína spike – a estrutura que o vírus usa para entrar nas células.

Cientistas destacam papel da África do Sul

O governo sul-africano reagiu negativamente às proibições de viagem impostas pelos países, destacando em uma declaração que os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças “desencorajam fortemente” as proibições a pessoas originárias de países que relataram a variante.

Os cientistas elogiaram as autoridades sanitárias sul-africanas por sua rápida reação a um surto de Covid-19 na província de Gauteng, o que levou à descoberta da nova variante.

“Durante esta pandemia, observamos que a imposição de proibições aos viajantes de países onde uma nova variante é relatada não produziu um resultado significativo”, disse a declaração.

Ela acrescentou que o desenvolvimento mostra como é importante ter excelentes capacidades de sequenciamento e compartilhar conhecimentos com outros. Essa mensagem foi reforçada pela OMS, que apelou para que os países aprimorassem seus esforços de vigilância e sequenciamento para melhor entender as variantes do coronavírus.

Mas o Dr. Richard Lessells, especialista em doenças infecciosas da Universidade de KwaZulu, em Durban, disse que a África do Sul estava sendo “punida” por sua transparência e capacidade de pegar a variante rapidamente e sinalizar o assunto para as autoridades sanitárias internacionais.

“O que achei repugnante e realmente angustiante não foi apenas a proibição de viagens que estava sendo implementada pelo Reino Unido e pela Europa, mas que essa era a única reação ou a reação mais forte”. Não havia nenhuma palavra de apoio que eles iriam oferecer aos países africanos para nos ajudar a controlar a pandemia”, disse ele à CNN.

Países com restrições ao sul da África

Baniram voos

  • Brasil
  • Estados Unidos
  • Reino Unido
  • Itália
  • Holanda
  • República Tcheca
  • França
  • Israel
  • Filipinas
  • Marrocos
  • Bahrein
  • Arábia Saudita
  • Chipre
  • Suíça
  • Turquia
  • Canadá
  • Irã
  • Egito
  • Bahrein
  • Grécia
  • Singapura
  • Áustria
  • Malta
  • Omã
  • Tailândia
  • Qatar
  • Hungria
  • Coreia do Sul
  • Ilhas Maurício
  • Espanha
  • Kuwait

Aumentaram medidas de controle

  • Japão
  • Índia
  • Taiwan
  • Malásia

Países com casos confirmados da nova variante da Covid-19

  • África do Sul
  • Bostuana
  • Hong Kong
  • Israel
  • Bélgica
  • Reino Unido
  • Itália
  • Alemanha

*Com informações de Carolina Figueiredo e Ivana Kottasová, da CNN

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