OMS anuncia países da África que receberão tecnologia para produzir vacinas mRNA

Hub global foi estabelecido em abril do ano passado para apoiar fabricantes em países de baixa e média renda para que produzam seus próprios imunizantes

Diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus
Diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus Fabrice Coffrini/ Pool via REUTERS

Tiago TortellaDouglas Portoda CNN

em São Paulo

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O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, anunciou, em cúpula realizada entre a União Europeia e a União Africana, os primeiros seis países da África que vão receber a tecnologia necessária para produção de vacinas de mRNA. São eles: Egito, Quênia, Nigéria, Senegal, África do Sul e Tunísia.

O anúncio foi feito em uma cerimônia organizada pelo Conselho Europeu, França, África do Sul e OMS, e teve a presença dos presidentes da França, Emmanuel Macron, da África do Sul, Cyril Ramaphosa e do Conselho Europeu, Charles Michel.

O hub global de transferência de tecnologia de mRNA foi estabelecido em abril de 2021 para apoiar fabricantes em países de baixa e média renda para que produzam suas próprias vacinas, garantindo que eles tenham todos os procedimentos operacionais e know-how necessários para fabricar vacinas de mRNA em escala e de acordo com os padrões internacionais.

Criado principalmente para lidar com o coronavírus, o hub tem potencial para expandir a fabricação de outros produtos que sejam prioritários para atender às necessidades de saúde locais. Por exemplo: insulina para tratamento de diabetes, medicamentos contra o câncer e, potencialmente, vacinas para outras doenças, como malária, tuberculose e Aids.

A tecnologia é a mesma utilizada pelas farmacêuticas Pfizer e BioNtech na fabricação da vacina Comirnaty, contra a Covid-19. O RNA mensageiro sintético ajuda o organismo a produzir as proteínas encontradas na superfície do SARS-CoV-2 para gerar imunidade.

“Nenhum outro evento como a pandemia de Covid-19 mostrou que a dependência de algumas empresas para fornecer bens públicos globais é limitante e perigosa. A médio e longo prazo, a melhor maneira de lidar com emergências de saúde e alcançar a cobertura universal de saúde é aumentar significativamente a capacidade de todas as regiões de fabricar os produtos de saúde de que precisam, com acesso equitativo como seu objetivo primário”, declarou Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Para Cyril Ramaphosa, “esta é uma iniciativa que nos permitirá fazer nossas próprias vacinas e que, para nós, é muito importante. Significa respeito mútuo, reconhecimento mútuo do que todos podemos trazer para a festa, investimento em nossas economias, investimento em infraestrutura e, de muitas maneiras, retribuir ao continente”.

Na América Latina, o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), foi selecionado pela OMS em setembro do ano passado como centro de desenvolvimento para vacinas de mRNA.

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