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    OMS revela desassistência a pacientes com doenças crônicas na Ucrânia

    Pesquisa aponta que 1 em cada 3 domicílios com pelo menos uma pessoa com condição crônica de saúde é incapaz de obter medicamentos e cuidados

    Edifícios destruídos em Mariupol, na Ucrânia
    Edifícios destruídos em Mariupol, na Ucrânia Alexander Ermochenko/Reuters

    Lucas Rochada CNN

    em São Paulo

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    Às vésperas de completar dois meses, a guerra na Ucrânia trouxe impactos devastadores para a saúde e bem-estar de milhões de pessoas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a crise humanitária também impõe desafios ao sistema de saúde ucraniano.

    Resultados preliminares de uma nova pesquisa da OMS indicam que, dos 1.000 domicílios que responderam até o momento, 1 em cada 3 (30%) que conta com pelo menos uma pessoa com doença crônica relatou dificuldades no acesso aos cuidados para essas condições.

    A pesquisa também mostra que 2 em cada 5 domicílios (39%) têm pelo menos um morador com uma doença crônica, como doenças cardiovasculares, diabetes ou câncer. A avaliação nacional das necessidades de saúde foi realizada em parceria com a Premise.

    Menos de um terço dos entrevistados buscou os serviços de saúde recentemente. Desses, 39% citaram a situação de segurança como o principal motivo, enquanto 27% relataram que nenhum serviço de saúde estava disponível em sua região.

    A maioria das famílias pesquisadas (70%) estão abrigadas em suas próprias casas neste momento, enquanto 11% estão hospedadas com amigos e familiares em áreas relativamente mais seguras, 8% estão em movimento na Ucrânia e 3% estão em um abrigo ou acampamento para deslocados internos.

    “Dois meses de guerra, nossas descobertas mostram a necessidade urgente de apoio contínuo ao sistema de saúde na Ucrânia”, disse Jarno Habicht, representante da OMS e chefe do escritório da OMS na Ucrânia, em comunicado.

    De acordo com a OMS, nas últimas oito semanas foram entregues suprimentos, insumos e medicamentos a quase 7,5 milhões de pessoas por meio de parcerias com o Ministério da Saúde local, instituições de saúde ucranianas, além de doadores.

    “Ainda não conseguimos chegar a algumas das áreas mais atingidas no Leste, onde o sistema de saúde praticamente entrou em colapso. Recebemos relatos, por exemplo, de que quase todas as instalações de saúde e hospitais de Luhansk estão danificados ou destruídos, e a situação é crítica em vários outros”, diz Habicht.

    A OMS alerta que o sistema de saúde da Ucrânia enfrenta vários desafios e que a situação se agrava a cada dia. Com as condições precárias, o risco de doenças infecciosas e de agravos transmitidos pela água é significativo. Além disso, a imunização de rotina, incluindo a vacinação contra a Covid-19, foi bastante reduzida por causa da guerra.

    Acessos aos cuidados reprodutivos, maternos e pré-natais, bem como a atenção à saúde mental, também foram severamente impactados devido a preocupações de segurança, mobilidade restrita, quebra nas cadeias de suprimentos e deslocamentos em massa.

    Segundo a OMS, os serviços de saúde também sofrem com os ataques, tendo sido registrados mais de 160 incidentes desde 24 de fevereiro.

    “Como agência de saúde das Nações Unidas, a OMS está em uma posição única para dialogar com todas as partes para pressionar e garantir a passagem segura de suprimentos médicos e de saúde críticos em todo o país”, explicou Hans Henri P. Kluge, diretor regional da OMS para a Europa.

    “Através de nosso escritório regional e escritórios nos países, estamos constantemente em contato com o ministro da Saúde, Viktor Liashko, e as autoridades de saúde ucranianas, criando estratégias coletivas para garantir da melhor maneira possível que os prestadores e instalações de saúde possam continuar funcionando”, completou.

    Trabalhando em estreita colaboração com parceiros e através da generosidade de uma série de doadores e financiadores, a OMS conseguiu fornecer suprimentos médicos e de emergência especializados, implantar equipes médicas em áreas de difícil acesso e ajudar a minimizar interrupções em serviços críticos, incluindo tratamentos para HIV, tuberculose e diabetes, imunizações de rotina e apoio à saúde mental.

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