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    Onda de calor atinge América do Sul, e temperaturas no Chile beiram os 40°C em pleno inverno

    Na região montanhosa dos Andes chilenos, os termômetros registraram 38,9 °C na terça-feira (1º); aquecimento global e El Niño potencializam situação no continente

    Temperaturas beiram os 40 °C no Chile em pleno inverno
    Temperaturas beiram os 40 °C no Chile em pleno inverno Ivan Alvarado/Reuters

    Sophie Tannoda CNN

    Regiões da América do Sul estão sufocando sob temperaturas anormalmente altas – apesar de estarmos no auge do inverno – já que a combinação das mudanças climáticas causadas pelo homem e a chegada do fenômeno El Niño alimentam o calor extremo durante a estação.

    Os países do Cone Sul, incluindo Chile e Argentina, experimentaram condições semelhantes às do verão, pois uma onda de calor elevou as temperaturas para mais de 38 °C em alguns lugares – acima da média para esta época do ano.

    Veja também: Cactos não resistem à onda de calor no Arizona

    Maximiliano Herrera, climatologista que rastreia temperaturas extremas em todo o mundo, disse à CNN que a América do Sul está passando por uma “onda de calor de inverno feroz”.

    Embora tais ondas de calor não sejam inéditas no continente, esta tem “características excepcionais por sua área, duração, intensidade e início de agosto”, disse Herrara, acrescentando que “dezenas de estações estão registrando suas temperaturas mais altas de todos os tempos na primeira metade de agosto.”

    A ministra do Meio Ambiente do Chile, Maisa Rojas, disse que o mundo vive eventos extremos há semanas. “Ontem foi a vez da América do Sul e do Chile”, declarou ela em uma publicação no Twitter na quarta-feira (3).

    Na região montanhosa dos Andes chilenos, as temperaturas subiram para 38,9 °C na terça-feira (1º), de acordo com Herrara, que descreveu o evento como “inacreditável” para o meio do inverno e “reescrevendo todos os livros climáticos”.

    Na região de Coquimbo, no norte do Chile, as temperaturas médias giram em torno de 22 °C em fevereiro, no auge do verão. Mas este ano, no meio do inverno, elas subiram muito mais.

    A comuna de Vicuña registrou 37,1 °C em 2 de agosto. “Esta temperatura é a mais alta registrada neste período em todo o Chile”, disse à CNN um porta-voz da Direção Meteorológica do Chile.

    A comuna também marcou a segunda temperatura mais alta já registrada no inverno do país – que vai de junho a agosto. Somente em agosto de 1951 foi registrada uma temperatura mais alta que 37,3 °C, em Copiapó.

    “Terça-feira foi provavelmente o dia de inverno mais quente no norte do Chile em 72 anos”, disse Raul Cordero, climatologista da Universidade de Groningen, na Holanda, à CNN.

    Na Argentina, alguns lugares atingiram máximas de 38 °C, segundo o serviço meteorológico nacional do país.

    A capital Buenos Aires – onde as temperaturas médias de agosto geralmente são de 18 °C – experimentou seu início de agosto mais quente em 117 anos de registros, com temperaturas de pouco mais de 30 °C em 1º de agosto. O recorde anterior para aquele dia era de 24,6 °C, estabelecido em 1942.

    Para comparação, a temperatura máxima média de Nova Orleans, nos EUA, na primeira semana de fevereiro também é de 18 °C, e a cidade nunca esteve acima de 28,3 °C na primeira semana de fevereiro.

    As altas temperaturas devem continuar pelos próximos cinco a seis dias, concentradas no norte da Argentina, Paraguai, Bolívia e sudoeste do Brasil, onde podem chegar a 40 °C, disse Herrara à CNN.

    Empurrando as temperaturas “para o desconhecido”

    “O que estamos experimentando é a combinação de dois fenômenos: uma tendência de aquecimento global devido à mudança climática mais o fenômeno El Niño”, disse Rojas nas redes sociais.

    O El Niño, um padrão climático natural que se origina no Oceano Pacífico tropical, traz temperaturas da superfície do mar mais quentes do que a média, com uma grande influência no clima em todo o mundo.

    Além do aquecimento global, causado pela queima de combustíveis fósseis que aquecem o planeta, as temperaturas podem atingir níveis recordes.

    Esse calor extremo em partes da América do Sul se encaixa em um padrão global mais amplo.

    Julho foi o mês mais quente do planeta já registrado por uma margem significativa, e os cientistas descobriram que as ondas de calor que varreram partes dos EUA, sul da Europa e China, no verão do Hemisfério Norte, foram provavelmente consequências da crise climática causada pelo homem.

    “O que fazer? Conhecemos a solução: pare de queimar combustíveis fósseis com urgência!” Rojas disse.

    Para Cordero, o calor incomum deste inverno é alarmante. “Assim como no resto do mundo, a combinação de mudança climática e o El Niño está empurrando as temperaturas para o desconhecido”, disse ele.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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