Operação de Israel deixa 13 mortos no sul da Síria, diz mídia estatal

Forças israelenses têm realizados incursões regulares no sul do país e prometeu proteger membros da minoria drusa que habitam a região

Da Reuters
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Ao menos 13 pessoas foram mortas por disparos israelenses em uma vila no sul da Síria nesta sexta-feira (28), informou a mídia estatal síria, enquanto o Exército israelense afirmou que cinco soldados ficaram feridos em um confronto durante uma operação para prender membros de um grupo militante na região.

Relatórios da mídia estatal síria sugeriram que a incursão israelense na área de Beit Jinn se tornou um dos incidentes mais mortais desde a queda do presidente Bashar al-Assad, há um ano.

Israel tem realizado incursões regulares no sul da Síria desde então, alegando objetivos que incluem manter militantes longe da fronteira.

O Exército israelense informou que suas tropas foram alvejadas por militantes durante uma operação noturna para deter suspeitos pertencentes a um grupo identificado como Jaama Islamiya e descreveu a operação como parte de ações de rotina na região nos últimos meses.

Confrontos violentos

As tropas israelenses responderam com fogo "juntamente com apoio aéreo", informou o Exército de Israel em um comunicado, acrescentando que três dos soldados israelenses feridos sofreram ferimentos graves. "Vários terroristas foram eliminados", afirmou.

A agência de notícias estatal síria SANA, citando o chefe da diretoria de saúde da província rural de Damasco, informou que dez pessoas foram mortas e dezenas ficaram feridas em decorrência do ataque israelense. Entre os mortos estavam duas crianças, informou a agência anteriormente.

As forças israelenses bombardearam Beit Jinn às 3h40 (horário local) e tropas israelenses entraram na vila, conforme a agência SANA. Moradores confrontaram as forças israelenses, que responderam, levando a "confrontos violentos", acrescentou a agência.

O Exército de Israel prendeu duas pessoas, segundo informações de uma autoridade local síria.

As forças israelenses se recusaram a fornecer mais detalhes sobre o grupo militante que, segundo eles, foi alvo da operação.

Os militares acusaram os suspeitos de atividades militares, incluindo o plantio de dispositivos explosivos improvisados ​​e o "planejamento de futuros ataques contra Israel, incluindo o lançamento de foguetes".

Israel demonstra suspeita em relação ao novo governo

Israel expressou profunda suspeita em relação ao novo governo da Síria, liderado pelo presidente Ahmed al-Sharaa, um ex-comandante da Al-Qaeda, e afirmou desejar uma Síria do sul desmilitarizada.

Sharaa declarou que a Síria não representa uma ameaça para nenhum Estado na região ou no mundo.

Israel interveio militarmente diversas vezes com o objetivo declarado de proteger membros da minoria drusa da Síria, notadamente durante a violência na província de Sweida, em julho, que opôs combatentes beduínos sunitas e forças governamentais a combatentes drusos.

O país vizinho, que frequentemente bombardeava a Síria quando era governada por Assad, intensificou suas operações militares após a sua deposição, deslocando tropas e equipamentos militares para além da zona tampão estabelecida em 1974 e para o sul da Síria, incluindo o ponto estratégico do Monte Hermon.