Otan reforça segurança de redes elétricas com bunkers e sistema anti-drones

Violações do espaço aéreo da Polônia pela Rússia no início de setembro mantém outros países da Organização em alerta para futuras invasões

Reuters
Otan testa novas tecnologias de drones em exercícios militares
Otan testa novas tecnologias de drones em exercícios militares  • Reprodução/Reuters
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Quatro países da Otan e da União Europeia, que fazem fronteira com a Rússia, planejam construir bunkers de concreto e redes antidrones em instalações vitais de energia, como parte de um plano para proteger as redes elétricas após incursões de drones russos.

Violações do espaço aéreo polonês por drones russos neste mês e múltiplos avistamentos de drones, incluindo um episódio que forçou o fechamento do Aeroporto de Copenhague por horas, levantaram preocupações sobre as defesas da Otan na região leste.

As violações do espaço aéreo também aumentaram as preocupações sobre a vulnerabilidade das instalações de energia na área, o que motivou a Polônia, a Lituânia, a Estônia e a Letônia a elaborarem um plano urgente para proteger suas redes elétricas.

Infraestrutura de energia exposta

Em entrevistas à agência de notícias Reuters, as operadoras de rede polonesa e lituana forneceram detalhes do plano, ainda não divulgados, incluindo a construção de bunkers para abrigar subestações ou partes importantes de subestações, o uso de redes antidrones para cobrir infraestruturas críticas e o estoque de componentes de difícil substituição.

"Após os incidentes em Copenhague e em outros lugares, há uma conscientização crescente de que a infraestrutura de energia está particularmente exposta", disse Grzegorz Onichimowski, CEO da operadora de rede elétrica polonesa PSE, à Reuters.

"(As violações dos drones russos) não são algo que possa acontecer, mas algo que já está acontecendo."

Dias após os drones russos serem abatidos no espaço aéreo polonês por jatos da Otan, a Polônia e os três países bálticos apresentaram o plano de segurança da rede elétrica de 382 milhões de euros (US$ 447 milhões) à UE e solicitaram o financiamento de metade do valor.

O plano estava em andamento desde março, mas se tornou mais urgente após as violações do espaço aéreo, disseram autoridades lituanas e polonesas.

"Esperamos que a União Europeia, que investiu muito dinheiro, 1,2 bilhão de euros, na preparação de nossas redes para cortar laços com a Rússia, agora garanta adequadamente seu próprio investimento", disse o Ministro da Energia da Lituânia, Zygimantas Vaiciunas, à Reuters.

Os três países bálticos concluíram a transição da rede elétrica russa para o sistema da UE em fevereiro, rompendo laços da era soviética após suspeitas de sabotagem de vários cabos e oleodutos submarinos.

Lições tiradas da guerra entre Rússia e Ucrânia

O plano de segurança da rede elétrica — sobre o qual as operadoras da Estônia e da Letônia se recusaram a comentar — extrai lições da Ucrânia, cuja rede elétrica tem sido alvo de bombardeios constantes desde a invasão russa em 2022.

Grande parte do foco estará na chamada Fenda de Suwalki, uma área escassamente povoada do território polonês entre a Bielorrússia e o território russo de Kaliningrado. A tomada da Fenda pela Rússia isolaria os países bálticos do restante da Otan.

Nesta segunda-feira (29), a Lituânia instalou proteção de concreto antidrone na subestação de Neris, que fornece energia para a capital Vilnius e fica a 20 km da fronteira com a Bielorrússia.

Os blocos de concreto serão posteriormente testados com o disparo de explosivos em um campo de testes militar.

Ainda este ano, a Lituânia planeja começar a produzir e montar bunkers para cobrir partes importantes de muitas de suas subestações, como transformadores e salas de controle, que seriam difíceis de substituir.

"Estamos planejando instalá-los na maioria das nossas subestações. Toda a Lituânia sente a proximidade (da Rússia e da Bielorrússia)", disse Rokas Masiulis, CEO da operadora de rede elétrica lituana Litgrid. "Há também segurança cibernética, eletrônica e outros tipos de segurança".

O plano foi elaborado para proteger partes vitais da rede elétrica, e não toda ela, já que equipar todas as subestações com sistemas antidrones seria muito custoso.