Países ao redor do mundo impõem novas sanções contra a Rússia

Rússia foi amplamente condenada por invadir país vizinho e aplicações de medidas afetam financeiramente empresas estatais, privadas e indivíduos da elite russa

Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Moscou
Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Moscou 24/02/2022 Sputnik/Aleksey Nikolskyi/Kremlin via REUTERS

Michelle TohJunko OguraHira HumayunCaitlin McGeeda CNN

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Países ao redor do mundo estão impondo novas sanções contra a Rússia pela invasão da Ucrânia. A União Europeia, Japão, Austrália, Nova Zelândia e Taiwan aplicaram em Moscou novas liminares nesta sexta-feira (25), condenando a incursão militar que se desenrolou nas últimas horas.

Na quinta-feira (24), os Estados Unidos e o Reino Unido também divulgaram mais medidas contra a Rússia, já que os líderes de ambas as nações condenaram as ações do presidente russo, Vladimir Putin.

A Rússia já está, de certa forma, pagando um preço pelo ataque, com as ações e a moeda do país despencando nesta semana após a decisão anterior de Putin de ordenar tropas para o leste da Ucrânia.

Na quinta-feira, o principal índice MOEX da Rússia fechou em queda de 33%, enquanto o rublo teve uma baixa recorde, com queda de 7% em relação ao dólar americano. A moeda se recuperou na sexta-feira, sendo negociada a 84,7 em relação ao dólar americano.

A Ucrânia também está pedindo ao Ocidente que proíba a Rússia da SWIFT, a rede de alta segurança que facilita pagamentos entre 11 mil instituições financeiras em 200 países. E no início da semana, a Alemanha suspendeu a certificação do gasoduto Nord Stream 2, após as ações de Moscou.

Putin alertou líderes empresariais russos na quinta-feira que espera mais “restrições” à economia, mas pediu que as empresas trabalhem “em solidariedade” com o governo.

Aqui está um resumo das últimas grandes sanções impostas.

União Europeia

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente francês, Emmanuel Macron, anunciaram novas medidas na manhã desta sexta-feira, prometendo infligir “impacto máximo na economia e na elite política russas”.

“Vamos responsabilizar o Kremlin”, disse von der Leyen.

As sanções visam atingir os setores financeiro, energético e de transporte da Rússia e incluem controles de exportação e proibições de financiamento comercial.

Von der Leyen disse que agora os alvos são 70% do setor bancário russo e as principais empresas estatais, e que buscou “tornar impossível para a Rússia atualizar suas refinarias de petróleo”.

“Também estamos visando as elites russas ao restringir seus depósitos para que não possam mais esconder seu dinheiro em refúgios seguros na Europa”, acrescentou.

As sanções também visam limitar o acesso da Rússia a tecnologia sensível, bem como componentes e equipamentos de aeronaves.

Japão

O Japão vai impor uma série de sanções contra instituições financeiras russas, organizações militares e indivíduos em resposta à invasão da Ucrânia, anunciou o primeiro-ministro Fumio Kishida nesta sexta-feira.

A gama de medidas inclui o congelamento dos ativos de certos indivíduos e instituições financeiras russas, além de proibir as exportações para organizações militares russas.

“Em resposta a essa situação, fortaleceremos nossas medidas de sanção em estreita cooperação com o G7 e o resto da comunidade internacional”, disse Kishida em entrevista coletiva na sexta-feira.

Austrália

O líder da Austrália disse nesta sexta-feira que “começaria a impor novas sanções aos oligarcas, cujo peso econômico é de importância estratégica para Moscou e mais de 300 membros da Duma russa, seu parlamento”.

Falando em uma entrevista coletiva, o primeiro-ministro Scott Morrison acrescentou que Camberra “também estava trabalhando durante a noite com os Estados Unidos para se alinhar com suas novas sanções sobre os principais indivíduos e entidades bielorrussas cúmplices do ataque, então estamos estendendo essas sanções à Belarus”.

A nova rodada de medidas veio depois que a Austrália impôs proibições de viagem e sanções financeiras direcionadas a oito membros do Conselho de Segurança da Federação Russa na quinta-feira.

Nova Zelândia

A Nova Zelândia está proibindo a exportação de mercadorias para as forças militares e de segurança russas em resposta à invasão da Ucrânia.

A primeira-ministra Jacinda Ardern anunciou nesta sexta-feira que cortaria o comércio com a Rússia e imporia proibições de viagem contra autoridades russas, enquanto continuava pedindo um retorno ao diálogo diplomático para resolver a crise.

“Aqui e agora, precisamos agir imediatamente”, disse Ardern em uma entrevista coletiva em Wellington.

“Este é o uso descarado do poder militar e da violência que tirará vidas inocentes e devemos nos opor a isso”.

Taiwan

Taiwan anunciou nesta sexta-feira que se juntaria às sanções econômicas contra a Rússia, sem especificar quais medidas estavam sendo consideradas.

Em um comunicado, o Ministério das Relações Exteriores disse que “condena veementemente” a decisão da Rússia de iniciar uma guerra contra a Ucrânia, acrescentando que isso representa uma séria ameaça à ordem internacional baseada em regras.

A decisão de impor sanções foi tomada “para obrigar a Rússia a interromper o ataque militar contra a Ucrânia e reiniciar o diálogo pacífico entre todas as partes envolvidas o mais rápido possível”, acrescentou o ministério.

Taiwan é líder global na produção de semicondutores.

Estados Unidos

O presidente dos EUA, Joe Biden, divulgou na quinta-feira novas medidas duras contra a Rússia, dizendo que: “Putin escolheu esta guerra”.

As novas sanções incluem bloqueios de exportação de tecnologia, uma peça central da abordagem de Biden que, segundo ele, limitaria severamente a capacidade da Rússia de avançar seu setor militar e aeroespacial.

Em um comunicado, a Casa Branca disse que “isso inclui restrições em toda a Rússia sobre semicondutores, telecomunicações, segurança de criptografia, lasers, sensores, navegação, aviônicos e tecnologias marítimas”.

Washington também aplicou sanções a bancos russos, a quem descreveu como “bilionários corruptos”, e suas famílias que são próximas ao Kremlin.

Ele disse que impediria 13 grandes empresas estatais de levantar dinheiro nos Estados Unidos, incluindo a gigante de energia Gazprom e Sberbank, a maior instituição financeira da Rússia.

A Casa Branca também prometeu sancionar duas dúzias de indivíduos e empresas bielorrussas, que incluem “dois bancos estatais bielorrussos significativos, nove empresas de defesa, além de sete oficiais e elites ligados ao regime”.

Reino Unido

O Reino Unido deve aplicar sanções a 100 indivíduos e entidades como parte de novas medidas contra a Rússia, anunciou o primeiro-ministro britânico Boris Johnson na tarde de quinta-feira.

Em um discurso ao parlamento, Johnson disse que o objetivo era “excluir os bancos russos do sistema financeiro do Reino Unido”.

Um congelamento de ativos será imposto ao banco estatal russo VTB, acrescentou ele, após a sanção de cinco bancos russos na terça-feira. As empresas estatais e privadas russas também serão impedidas de arrecadar fundos no Reino Unido.

Além disso, 100 indivíduos e entidades terão seus ativos congelados, disse Johnson, acrescentando que isso inclui “todos os principais fabricantes que apoiam a máquina de guerra de Putin”.

Johnson também disse que “nada está fora da mesa” quando se trata de fechar o acesso da Rússia à rede SWIFT.

O Reino Unido proibirá a empresa aérea nacional da Rússia, a Aeroflot, e aplicará sanções a Belarus “por seu papel no ataque à Ucrânia”, acrescentou o primeiro-ministro.

A Grã-Bretanha também espera apresentar legislação “no início da próxima semana” para proibir a exportação de certas tecnologias para a Rússia, particularmente “em setores como eletrônicos, telecomunicações e aeroespacial”, segundo Johnson.

E ele delineou planos para estabelecer uma nova célula dedicada na Agência Nacional de Crimes do país “para atingir sanções, evasão e ativos russos corruptos escondidos no Reino Unido”.

“Continuaremos em uma missão implacável de espremer a Rússia fora da economia global. Peça por peça, dia a dia e semana a semana”, disse Johnson aos legisladores.

Contribuíram para esta reportagem: Charles Riley, Kevin Liptak, Nathan Hodge, Julia Horowitz, Isaac Yee, Eric Cheung, Sam Fossum e Chris Liakos.

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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