Papa Leão XIV pede aumento de gastos no combate à fome mundial

Pontífice afirmou que os líderes mundiais estão "alimentando" guerras ao invés de ajudar os "famintos"

Da Reuters
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Líderes mundiais estão “alimentando” guerras ​ao invés de alimentar os ​famintos, afirmou o papa Leão XIV nesta segunda-feira (22), dizendo à agência de ajuda alimentar da ONU que as prioridades globais estavam gravemente distorcidas.

O pontífice, que tem se mostrado mais crítico em questões políticas nos últimos meses, instou ⁠os governos a ​aumentarem os gastos no combate à fome ​e a não submeterem a ajuda alimentar a restrições ⁠baseadas em preocupações geopolíticas.

“Os conflitos ⁠são ‘alimentados’ mais prontamente do que as ​pessoas ‌são nutridas”, disse o papa Leão durante uma ⁠visita à sede do PMA (Programa Mundial de Alimentos) em Roma.

“Essa realidade reflete não apenas deficiências operacionais, mas também um ‌desequilíbrio ⁠fundamental nas ‌prioridades políticas e morais”, afirmou o pontífice.

O PMA é o maior provedor de ajuda alimentar em todo o mundo. ⁠Seu maior doador são ⁠os Estados Unidos, que anunciaram uma nova contribuição de US$800 milhões na ‌semana passada, após cortes anteriores feitos pelo presidente Donald Trump que reduziram em mais da metade o financiamento planejado pelos EUA.

Leão, que despertou a ira de ‌Trump no início deste ano após criticar a guerra contra o Irã, não mencionou nenhum líder específico ⁠para a agência alimentar da ONU.

O papa lamentou que as crises humanitárias mundiais estejam sendo relegadas a um “lugar secundário entre as ​prioridades internacionais”.

Ele afirmou que os países “têm alocado cada vez ​mais seus recursos para a segurança nacional, o crescimento econômico e a estabilidade interna, desconsiderando a estreita ligação entre essas questões e a ‌cooperação multilateral”.