Passe de vacina se torna obrigatório na Itália e milhares protestam

Trabalhadores portuários ameaçam paralização por conta de passe obrigatório de vacinação na Itália.

Barbie Latza Nadeauda CNNReuters

Em Roma

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Um mandado para todos os trabalhadores da Itália apresentarem um passe de vacina emitido pelo governo entrou em vigor nesta sexta-feira (15) e provocou protestos em portos importantes e temor de rupturas.

Todos que estejam em uma folha de pagamento – tanto no setor público quanto privado – têm que ter um “passe verde” com QR code como prova de esquema vacinal completo, recuperação recente de uma infecção ou de algum teste negativo nas últimas 48 horas.

Funcionários que forem trabalhar sem o passe correm o risco de receber uma multa de 1.500 euros (aproximadamente R$ 9.430 na cotação atual) e uma suspensão do trabalho sem direito a remuneração. Os empregadores também podem ser multados se permitirem sua equipe trabalhar sem o passe.

As maiores manifestações foram em um porto de Trieste, no nordeste do país, onde grupos de trabalhadores ameaçaram bloquear as operações. Aproximadamente 6 mil manifestantes, alguns cantando e carregando sinalizadores, se reuniram fora dos portões.

Cerca de 40% dos trabalhadores portuários de Trieste não se vacinaram, disse Stefano Puzzer, um funcionário sindical local. O número representa uma proporção muito maior do que a população italiana em geral.

O governador regional Massimilano Frediga disse ao canal italiano Sky TG24: “O porto [de Trieste] está funcionando. Obviamente haverão algumas dificuldades e menos pessoas no trabalho, mas está funcionando”.

“O ‘passe verde’ é algo ruim, é uma discriminação sob a lei. Nada além disso. Não é uma regulação de saúde. É apenas um movimento político para criar divisão entre as pessoas…”, disse Fabio Bocin, um trabalhador portuário de 59 anos em Tieste.

Em Genoa, outro porto italiano importante, cerca de 100 manifestantes bloquearam o acesso de caminhões, disse uma testemunha à Reuters.

Em Roma, policiais com equipamento antimotim se posicionaram em frente a uma pequena manifestação com pessoas gritando “Não ao ‘passe verde’”. Um protesto também é esperado no Circo Máximo, na capital, na tarde desta sexta-feira.

As estatísticas do governo italiano dizem que 81% da população elegível já foi completamente vacinada e mais de 85% já tomou a primeira dose. A Itália também começou a aplicar doses de reforço para os imunossuprimidos e pessoas com mais de 80 anos.

O passe tem sido exigido em trens para viagens de longa distância e ambientes internos, como restaurantes, museus e academias desde 1 de setembro.

O gabinete do primeiro-ministro Mario Draghi aprovou a regra – uma das medias anti-Covid mais rigorosas do mundo – em meados de setembro. Ela valerá até o fim do ano.

Aproximadamente 15% dos trabalhadores do setor privado e 8% do setor público não têm passe verde, estima um documento interno do governo visto pela Reuters.

O governo espera que tornar o passe obrigatório possa convencer os italianos ainda não vacinados a mudarem de ideia, mas com mais de 80% dos cidadãos com mais de 12 anos completamente vacinados e com taxas baixas de infecção, essa disparada na vacinação não se materializou.

Os partidos de extrema-direita Liga e Irmãos da Itália, além de alguns sindicatos, dizem que, para evitar o risco de falta de trabalhadores, a validade dos testes de Covid-19 deve se estender de 48 para 72 horas e eles devem ser gratuitos para trabalhadores não-vacinados.

Mas o governo resistiu a essas medidas. O Partido Democrático, de centro-esquerda, que faz parte da coalizão do governo de Draghi, alega que deixar os testes gratuitos seria o equivalente a dar anistia para sonegadores de impostos.

(Texto traduzido. Leia o original aqui.)

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