PCC e CV: Meta dos EUA é romper redes financeiras ilícitas, diz porta-voz
Amanda Roberson, do Departamento de Estado dos EUA, explica efeitos da designação das facções brasileiras no sistema financeiro e nas investigações
A decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas gerou preocupações no Brasil sobre possíveis impactos no sistema financeiro nacional, incluindo o Pix. Em entrevista ao Live CNN, Amanda Roberson, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, esclareceu os efeitos práticos da medida.
Segundo Roberson, uma das ferramentas liberadas pelas designações é a possibilidade de bloquear qualquer tipo de transação com os grupos criminosos. Porém, ela não comentou especificamente sobre a situação do Pix. "A implementação dessas designações é responsabilidade do Departamento do Tesouro", afirmou.
Ela explicou que caberá à pasta realizar análises e investigações, sem que seja possível comentar sobre casos específicos.
Roberson ressaltou que o propósito central da medida é romper as redes financeiras ilícitas utilizadas pelo PCC e pelo CV para financiar suas operações. "O propósito e a meta dessas designações é romper as redes financeiras ilícitas que esses grupos usam para financiar as suas operações", declarou a porta-voz.
Cooperação entre EUA e Brasil continuará
Diante do temor de investigadores brasileiros de que a designação pudesse restringir o compartilhamento de informações entre os dois países, Amanda Roberson foi categórica ao afirmar que a cooperação não será interrompida.
"Os Estados Unidos e o Brasil têm uma cooperação ampla na área de segurança. Temos mais de nove agências federais do governo dos Estados Unidos cooperando no Brasil com as autoridades, e essa cooperação vai continuar", afirmou.
A porta-voz também destacou que as atividades do PCC e do CV ultrapassam as fronteiras brasileiras. Segundo ela, há evidências da atuação dessas facções em 12 estados norte-americanos.
"Estes dois grupos não estão atuando só dentro do Brasil. As suas atividades se estendem além das fronteiras brasileiras em outros países", disse Roberson, acrescentando que a cooperação entre os dois países é, portanto, fundamental.
Ação como prioridade de segurança nacional
Roberson confirmou que os EUA possuem evidências da atuação do PCC e do CV em território norte-americano, assim como de outros grandes cartéis e organizações criminosas do hemisfério.
"É por isso que foi uma prioridade muito importante para o presidente Donald Trump tomar essa ação para proteger a nossa segurança nacional", concluiu a porta-voz.


