Pela 1ª vez, dois candidatos gays competem pelo mesmo assento no Congresso dos EUA
O republicano George Santos, de 34 anos, é filho de brasileiros e concorre contra o democrata Robert Zimmerman, de 68 anos; eleições americanas ocorrem nesta terca-feira (8)

O democrata Robert Zimmerman, executivo de marketing de 68 anos, enfrentará George Santos, um financista republicano de 34 anos e filho de brasileiros, nas eleições de meio de mandato no dia 8 de novembro.
Analistas dizem que a corrida no 3º distrito congressional de Nova York destaca os enormes avanços que a representação e aceitação LGBTQ+ fizeram no cenário político.
"O notável é que não parece uma grande coisa, o que mostra o quanto o país avançou na aceitação de candidatos gays e lésbicas", disse Kyle Kondik, analista político do Centro de Política da Universidade da Virgínia.
Zimmerman tem uma ligeira vantagem na corrida "toss up", de acordo com o analista eleitoral apartidário The Cook Political Report, enquanto o titular democrata, Thomas Suozzi, deixa o cargo.
Se ele vencer, Santos será o primeiro republicano assumidamente gay a ganhar uma cadeira no Congresso. Dois republicanos foram reeleitos depois de se assumirem ou serem declarados gays enquanto estavam no cargo.
Os republicanos, que os analistas esperam obter ganhos consideráveis nas eleições de terça-feira (8), precisam de um ganho líquido de cinco cadeiras para recuperar o controle da Câmara dos Deputados, a câmara baixa do Congresso dos EUA.
Diferenças políticas
“Quando se trata de [ambos os candidatos] serem gays, é aí que as semelhanças terminam”, disse Sean Meloy, vice-presidente de programas políticos do LGBTQ Victory Fund, uma organização que apoia candidatos políticos LGBTQ+ e endossou Zimmerman.
Zimmerman disse que seu oponente "ficou com os elementos mais extremistas do Partido Republicano" e não protegeria os direitos LGBTQ+ se eleito.
Ele apontou a participação de Santos no comício do ex-presidente Donald Trump em 6 de janeiro do ano passado, que precedeu o motim no Capitólio, e sua promessa de 2020 de votar a favor da proibição nacional do aborto.
Ele também citou o apoio de Santos à lei da Flórida para limitar a discussão de questões LGBTQ+ nas escolas, que foi apelidada de lei “não diga gay” pelos oponentes.
Santos, um americano de primeira geração cujos pais emigraram do Brasil, procurou desviar os ataques concentrando-se em questões como inflação, economia e crime.
Santos disse à Thomson Reuters Foundation que a lei da Flórida dá aos pais mais controle sobre o que as crianças aprendem na escola.
"A legislação da Flórida leva em consideração a participação dos pais na educação de seus filhos", disse Santos em entrevista por telefone. "Sou totalmente favorável a isso."
Representação crescente
As próximas eleições terão um número recorde de candidatos LGBTQ+, embora ainda estejam sub-representados em cargos oficiais.
Quase 680 candidatos estão nas urnas para as eleições de novembro, 18% a mais do que em 2020, de acordo com um relatório do LGBTQ Victory Fund.
Nove membros atuais da Câmara e dois do Senado, a câmara alta do Congresso, são abertamente gays, lésbicas ou bissexuais. Todos são democratas.
Nenhum republicano LGBTQ+ está no Congresso desde que o deputado do Arizona, Jim Kolbe, deixou o cargo em 2007.
Santos disse que sua candidatura é uma evidência de que o Partido Republicano acolhe pessoas LGBTQ+.
"A realidade é que o Partido Republicano é um partido de grande porte, assim como os democratas afirmam ser", disse ele.
Charles Moran, presidente da organização Log Cabin Republicans, que representa os membros e aliados LGBTQ+ do partido, disse que é um sinal de progresso que a corrida histórica esteja ocorrendo em um distrito predominantemente suburbano.
“Este não é um distrito fortemente urbano com um núcleo LGBT tradicional, como você encontraria em São Francisco, Los Angeles ou Manhattan”, disse ele.
(Informações da Openly; edição de Sonia Elks e Hugo Greenhalgh)


