Pence nega apoio de Trump a supremacistas brancos: ‘Fazem edição seletiva’

Durante o debate de vices desta quarta, Kamala declarou que Trump se recusou a condenar supremacistas brancos quando teve oportunidade

Diego Freire,

da CNN, em São Paulo

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No debate de vice-presidentes realizado nesta quarta-feira (7), Mike Pence negou que Donald Trump tenha manifestado apoio a supremacistas brancos.

Ele acusou a democrata Kamala Harris e a imprensa de fazerem uma “edição seletiva” das falas do presidente americano, que teria se recusado a condenar movimentos do tipo no debate com Joe Biden na última terça-feira. 

“Vocês fazem edição seletiva. Kamala omite convenientemente quando Trump condena a KKK (Ku Klux Klan) e neonazistas. Trump tem netos judeus. É um presidente que tem orgulho de todo o povo americano”, afirmou o candidato à vice-presidência do partido republicano.

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Durante o debate desta quarta-feira, Kamala declarou que Trump se recusou a condenar supremacistas brancos quando teve oportunidade.

“Ele teve chance e dobrou a aposta. É uma espécie de padrão de Trump, chamava mexicanos de estuprados e criminosos”, declarou a democrata.

“Em Charlottesville, as pessoas protestavam de forma pacífica e havia neonazistas carregando tochas. Perguntado a respeito, Trump disse que há pessoas boas e ruins dos dois lados. Biden vai trazer a beleza da nossa diversidade”, disse.

Em agosto de 2017 alguns membros do movimento Antifa protestaram em Charlottesville, Virgínia, para condenar o racismo e se opor às manifestações de centenas de nacionalistas brancos que eram contra a remoção da estátua do general Robert E. Lee.

Os atos se tornaram violentos quando James Fields, que não é membro da Antifa, se lançou com seu veículo contra uma multidão de manifestantes e matou Heather Heyer.

Trump disse que ‘dois lados’ têm pessoas boas

Trump foi acusado de se recusar a condenar supremacistas brancos no debate presidencial entre ele e Joe Biden na última terça-feira. Nesta semana, antes de anunciar que testou positivo para Covid-19, o presidente dos Estados Unidos voltou ao tema.

“Condeno a KKK, condeno todos os supremacistas brancos, condeno o Proud Boys. Não conheço muito sobre o Proud Boys, quase nada, mas condeno”, afirmou Trump à emissora Fox News, antes de parecer igualar novamente a violência de grupos de extrema esquerda com a de supremacistas brancos. Para o diretor do FBI, estes últimos são a maior preocupação doméstica do país.

Durante o debate, o presidente também disse aos Proud Boys – grupo de extrema direita qualificado pela Liga Antidifamação como misógino, islamofóbico, transfóbico e anti-imigração – que “recuem e fiquem na sua”.

“Quem você quer que eu condene?”, perguntou Trump no evento. Biden insistiu duas vezes: “Proud Boys.” 

“Proud Boys, recuem e fiquem na sua. Mas digo uma coisa, alguém precisa fazer algo sobre o Antifa e a esquerda, porque não se trata de um problema de direita”, continuou Trump.

Embora Trump tenha condenado a Ku Klux Klan e os supremacistas brancos no passado, ele disse há alguns meses que “os dois lados” deveriam ser responsabilizados pela violência em protestos em Charlottesville, na Virgínia.

Além disso, ele frequentemente minimiza a ameaça de supremacistas brancos e usa a alimentação das tensões raciais como parte de sua estratégia de reeleição.

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