Pentágono exige aprovação para imprensa divulgar informações sensíveis

Jornalistas podem perder credenciais até se tentarem acessar informações confidenciais

Andrew Goudsward, da Reuters
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O governo dos Estados Unidos está impondo novas restrições à cobertura da imprensa sobre as Forças Armadas, exigindo que as organizações de notícias concordem que não divulgarão informações que o governo não tenha aprovado para divulgação.

Em um memorando na sexta-feira (19), o Departamento de Defesa americano disse que os jornalistas que publicarem material sensível não autorizado poderão ter suas credenciais de imprensa revogadas.

Críticos alertaram que as restrições "sufocariam" as reportagens independentes.

Ao ser questionado no domingo (21) por repórteres do lado de fora da Casa Branca se o Pentágono deveria ser responsável pelo que a imprensa pode publicar, Trump respondeu: "Não, acho que não. Nada impede os repórteres".

O presidente não foi perguntado especificamente sobre a nova regra imposta pelo governo.

O memorando diz que as organizações de notícias deverão reconhecer que a divulgação, o acesso ou a tentativa de acesso a informações confidenciais sem autorização pode ser motivo para que suas credenciais de imprensa do Pentágono sejam negadas ou revogadas.

O departamento "continua comprometido com a transparência para promover a responsabilidade e a confiança do público. No entanto, as informações do [Pentágono] devem ser aprovadas para divulgação pública por um funcionário autorizador apropriado antes de serem divulgadas, mesmo que não sejam sigilosas", afirmou o texto.

O documento destaca que os repórteres que perderem suas credenciais não terão acesso a todas as instalações militares dos EUA, o que incluiria o próprio Pentágono.

O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, comentou que essas "são diretrizes básicas e de bom senso para proteger informações confidenciais, bem como a proteção da segurança nacional e a segurança de todos os que trabalham no Pentágono".

Medida do Pentágono é criticada

Essa proibição levanta sérias questões sobre a cobertura das Forças Armadas dos EUA, desde os principais anúncios do Pentágono até suas ações em conflitos e ajuda em desastres.

A medida foi rapidamente condenada por organizações de mídia, incluindo o New York Times, a Reuters, o Washington Post e o Wall Street Journal.

O diretor do National Press Club em Washington, que defende a liberdade de imprensa, disse que se trata de um "ataque direto" ao jornalismo independente.

"Se as notícias sobre nossas Forças Armadas tiverem que ser aprovadas primeiro pelo governo, então o público não estará mais recebendo informações independentes. Ele está recebendo apenas o que as autoridades querem que ele veja", avaliou o presidente do National Press Club, Mike Balsamo, em um comunicado.

Mais de 20 organizações de notícias operam no Pentágono, informando sobre as atividades diárias das Forças Armadas dos EUA.

O deputado republicano Don Bacon, de Nebraska, veterano da Força Aérea dos EUA e integrante do Comitê de Serviços Armados da Câmara dos Deputados, também criticou as restrições em publicação no X.

"Uma imprensa livre torna nosso país melhor. Isso parece mais um amadorismo.", escreveu Bacon.

Medidas anteriores do Pentágono sobre imprensa

Em fevereiro, o Departamento de Defesa dos EUA removeu quatro organizações de mídia de seus escritórios designados no Pentágono, iniciando um rodízio com outros veículos.

Em maio, o secretário de Defesa também emitiu ordens que exigem que os jornalistas tenham escolta oficial em grande parte do prédio do Pentágono.