
Perda de força do Irã ajuda retomar acordos de Abraão, diz Alberto Pfeifer
Analista avalia que possível normalização das relações entre países árabes e Israel terá papel crucial em novo cenário regional após ataques recentes
O enfraquecimento do Irã após recentes ataques pode abrir caminho para uma nova configuração no Oriente Médio, segundo o coordenador do grupo de Análise de Estratégia Internacional da USP, Alberto Pfeifer. A neutralização do programa nuclear iraniano e o enfraquecimento do regime teocrático podem ser fatores decisivos para a retomada dos acordos de Abraão e a normalização das relações entre países árabes e Israel.
O ataque de Israel ao Irã, com apoio dos Estados Unidos e do Ocidente, resultou na eliminação de comandantes militares iranianos, além de afetar significativamente o desenvolvimento do programa nuclear do país. Este evento marca um ponto de virada na dinâmica regional, onde o Irã era visto como principal ameaça à estabilidade.
O enfraquecimento do Irã ainda afeta seus aliados na região, como o Hamas em Gaza, o Hezbollah no Líbano e os Houthis no Iêmen. Todos esses grupos foram alvos de ataques e neutralizações por parte de Israel desde outubro de 2023, reduzindo a influência iraniana na região. O país persa também não conta mais com a Síria, que até a queda do ditador Bashar al-Assad em dezembro de 2024, integrava o chamado "Eixo da Resistência" contra Israel.
A nova conjuntura pode favorecer a retomada dos acordos de Abraão, que visam a normalização das relações entre Israel e países árabes. A possibilidade de cooperação econômica, investimentos e comércio entre essas nações, com o apoio dos Estados Unidos, surge como uma alternativa atrativa para a estabilidade regional.
Busca por prosperidade e estabilidade
Países como a Arábia Saudita, sob a liderança do príncipe Mohammed bin Salman, buscam modernização e diversificação econômica para um futuro pós-petróleo. Essa visão de prosperidade alinha-se com a necessidade de estabilidade e previsibilidade na região, favorecendo potenciais acordos com Israel.
A população local, apesar das diferenças religiosas e culturais, demonstra um desejo crescente por bem-estar e qualidade de vida. A possibilidade de um novo cenário no Oriente Médio, focado em cooperação econômica e desenvolvimento, pode atender a essas aspirações e contribuir para a resolução do complexo "quebra-cabeças" regional.
Embora desafios e tensões possam persistir, a atual conjuntura oferece uma oportunidade única para reconfigurar as relações no Oriente Médio, priorizando a prosperidade e a estabilidade em detrimento de conflitos históricos.


