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    Petroleiras são acusadas de “sequestrar o debate sobre clima” em fóruns globais

    Empresas do setor ampliam presença nas discussões sobre meio ambiente em COPs e no Fórum Econômico Mundial

    Local do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça
    Local do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça World Economic Forum/Valeriano Di Domenico

    Américo Martinsda CNN

    Em Londres

    Militantes do clima estão aumentando os seus protestos e críticas contra a maior participação de empresas de petróleo nas principais discussões sobre mudanças climáticas no mundo.

    Os ativistas acusam as gigantes do petróleo de tentar “sequestrar o debate sobre o clima” em eventos como as COPs (as cúpulas mundiais do clima que são organizadas pela ONU) e o Fórum Econômico Mundial, cuja edição deste ano começa nesta segunda-feira (16).

    Reagindo a isso, os militantes passaram a organizar protestos mais frequentes.

    No domingo (15) e nesta segunda-feira (16) houve protestos seguidos em Davos, na Suíça, onde tradicionalmente acontece a reunião anual do Fórum Econômico Mundial.

    No maior deles, um grupo de ativistas conseguiu bloquear um aeroporto de jatinhos usado pelos participantes que chegavam ao fórum na manhã de segunda-feira.
    Os ativistas acusam os “ricos participantes do fórum” de financiar negócios que afetam o clima e pedem que eles sejam responsabilizados pelos danos climáticos e ecológicos.

    “Exigimos uma ação climática concreta e real”, disse Nicolas Siegrist, o organizador do protesto de domingo. Segundo Siegrist, as empresas petroleiras “estarão na mesma sala com os líderes mundiais e defenderão seus interesses”.

    CEO de petroleira vai presidir a COP28

    Na semana passada, o governo dos Emirados Árabes Unidos anunciou que o sultão Ahmed Al Jaber, CEO da Abu Dhabi Oil Company, uma das maiores petroleiras do mundo, vai ser o presidente da COP28, que acontece em Dubai no fim deste ano.

    A sua nomeação enfurece ainda mais os ativistas e entidades ligadas ao meio ambiente.

    Eles viram a escolha de Jaber como a prova mais definitiva de que as petroleiras tentam influenciar de maneira cada vez mais fortes os debates sobre o clima.

    A própria candidatura dos Emirados Árabes para organizar a cúpula do clima já havia causado controvérsias, já que o país é um dos maiores produtores de petróleo do mundo.

    Autoridades mundiais e os ativistas defendem uma forte redução no uso de combustíveis fósseis no mundo todo, já que o petróleo é o maior responsável pela emissão de gases do efeito estufa, que causam o aquecimento global.

    A indústria de petróleo e gás, no entanto, diz que precisa fazer parte das discussões sobre a transição para uma energia mais limpa, pois os combustíveis fósseis continuarão a desempenhar um papel importante na matriz energética mundial.

    Assessores de Al-Jaber disseram que ele teve “papel proativo” em mais de uma dezena de COPs e tem experiência em negociações globais.

    A sua nomeação, no entanto, levanta sérias dúvidas sobre um quase inevitável conflito de interesses entre sua atuação profissional e as decisões que terá que tomar na cúpula do clima.