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    Planalto vê “fator medo” pró-Massa e “armadilha” para Milei

    Para os auxiliares de Lula, Massa deveria propor um governo de coalizão ampla e enfatizar a necessidade de "união nacional"

    Daniel Rittnerda CNN

    Brasília

    O resultado do primeiro turno na Argentina surpreendeu auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que agora consideram o peronista Sergio Massa como favorito na rodada decisiva das eleições no país vizinho.

    Na avaliação reservada do governo brasileiro, o que mais pesou — e continuará pesando — a favor de Massa é o “fator medo”. Ou seja, o temor dos argentinos com as propostas polêmicas do ultradireitista Javier Milei, que quer a dolarização da economia e a facilitação do porte de armas, entre outras plataformas de campanha.

    Votos dos 4º e 5º lugares

    Um conselheiro de Lula avalia que Massa deverá capturar a maioria dos votos depositados em Juan Schiaretti (peronista dissidente) e Myriam Bregman (esquerda radical), respectivamente quarto e quinto colocados no pleito deste domingo (22), que juntos tiveram quase 10% do eleitorado.

    Já a expectativa do Planalto, diante do “fator medo” em torno de Milei, é que parte expressiva dos eleitores da candidata Patricia Bullrich (direita tradicional) simplesmente deixe de comparecer no segundo turno e opte pela abstenção.

    Bullrich terminou em terceiro lugar e teve pouco menos de 24% na primeira rodada das eleições. Na leitura dos assessores de Lula, são votos mais difíceis de migrar para Massa, mas que em boa parcela não vão automaticamente para Milei.

    Armadilha

    O Planalto vê uma armadilha para o oposicionista, que se apresenta como “anarcocapitalista”, no segundo turno.

    • Se mantiver um discurso radical, não conquistará muitos eleitores de Bullrich.
    • Se amenizar as propostas, correrá risco de perder tração entre seus militantes entusiasmados pelo discurso libertário.

    Para os auxiliares de Lula, Massa deveria propor um governo de coalizão ampla e enfatizar a necessidade de “união nacional”, reconhecendo o mau estado da economia argentina e a impossibilidade de sair da crise sem consensos mínimos.

    “Pato manco”

    Do contrário, avalia-se no Planalto, a possibilidade é Massa ganhar as eleições e tornar-se um presidente “pato manco” (sem força política) já no primeiro ano de mandato.

    Na análise de interlocutores do presidente brasileiro, Massa pode aproveitar-se do fato de que não é visto como aliado incondicional do kirchnerismo e pedir o apoio de um espectro mais amplo do mundo político argentino.

    O segundo turno ocorre em 19 de novembro. A posse do novo presidente está marcada para 10 de dezembro.

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