Polícia classifica como terrorista ataque que feriu dois judeus em Londres
Vítimas foram esfaqueadas por um homem na zona norte da cidade; grupo Harakat Ashab al-Yamin al-Islamiyya clamou a autoria

Dois homens judeus foram esfaqueados na região norte de Londres nesta quarta-feira (29), em um ataque que a polícia considera suspeito de ser terrorista.
A polícia informou que as duas vítimas, de 76 e 34 anos, encontram-se em condição estável no hospital, e que os agentes, alguns dos quais também foram atacados pelo suspeito, prenderam um homem de 45 anos após o imobilizarem com uma pistola de eletrochoque.
O suspeito é um cidadão britânico nascido na Somália, informou a Polícia Metropolitana em comunicado. Ele foi inicialmente levado a um hospital, mas já recebeu alta e foi encaminhado a uma delegacia de Londres, onde permanece sob custódia.
Os detetives acreditam que o suspeito também esteve envolvido numa outra ocorrência mais cedo nesta quarta-feira, no sudeste de Londres, onde o suspeito estava armado com uma faca e uma pessoa sofreu ferimentos leves, informou a polícia.
O mais recente de uma série de ataques antissemitas no Reino Unido levou líderes da comunidade judaica em Londres, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o presidente de Israel a exigirem medidas urgentes, em meio a preocupações com a segurança dos 290 mil judeus britânicos.
O suspeito, que está sendo interrogado pela polícia sob suspeita de tentativa de homicídio, tinha um histórico de violência grave e problemas de saúde mental, afirmou o chefe de polícia de Londres, Mark Rowley, em um comunicado no local.
O governo prometeu fornecer mais recursos em todo o país para proteger as comunidades, mas, em um sinal de raiva e medo, uma multidão no local vaiou Rowley e pediu sua renúncia, gritando "você falhou".
Israel exige ação
Imagens não verificadas publicadas nas redes sociais, parecem mostrar um homem usando um quipá tradicional sendo atacado por um agressor com uma faca enquanto estava em um ponto de ônibus.
O suspeito tentou esfaquear policiais, informou a polícia, embora nenhum agente tenha ficado ferido. Imagens divulgadas posteriormente nas redes sociais mostraram policiais chutando repetidamente o suspeito enquanto tentavam tomar a faca dele.
Os esfaqueamentos seguem uma série de ataques incendiários contra alvos judaicos nas últimas semanas na capital, enquanto em outubro passado duas pessoas e um agressor foram mortos depois que um homem dirigiu seu carro contra uma sinagoga na cidade de Manchester, no norte da Inglaterra.
O rabino-chefe da Inglaterra, Ephraim Mirvis, disse que o governo britânico precisa de mais do que palavras para enfrentar esse "ódio".
O presidente israelense, Isaac Herzog, pediu ação urgente, dizendo que se tornou "perigoso andar abertamente pelas ruas como judeu" em Londres.
"Sejamos francos, este não é um incidente isolado. Houve uma série de ataques antissemitas", disse o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, em um comunicado, após ter descrito o esfaqueamento como "absolutamente terrível".
Starmer disse que seu governo precisa aumentar ainda mais o financiamento para a segurança das comunidades judaicas e combater o que ele chamou de "agentes estatais malignos".
Um porta-voz do Rei Charles disse que o monarca está "sendo mantido totalmente informado e está naturalmente muito preocupado, em particular com o impacto na comunidade judaica".
Medo é "compreensível"
Rowley disse que discutiria com o governo que tipo de ajuda adicional poderia ser disponibilizada.
"É completamente compreensível por que os judeus londrinos sentem medo. As comunidades judaicas estão compreensivelmente irritadas. Houve ataques demais", disse ele.
Detetives estão investigando se os incêndios criminosos do último mês têm possíveis ligações com o Irã, em meio a alertas de autoridades de segurança de que o país tem buscado usar grupos criminosos para realizar atividades hostis no Reino Unido.
Na terça-feira (28), a Inglaterra convocou o embaixador iraniano devido ao que chamou de comentários "inaceitáveis e inflamatórios" da embaixada iraniana nas redes sociais.
O grupo pró-iraniano Harakat Ashab al-Yamin al-Islamiyya, que reivindicou a autoria de alguns dos ataques incendiários em Londres e de outros semelhantes na Europa, assumiu a responsabilidade pelos esfaqueamentos de quarta-feira nas redes sociais.
A polícia já havia declarado que estava avaliando essas reivindicações online, mas não confirmou sua autenticidade.
"Sabemos que alguns indivíduos estão sendo incentivados, persuadidos ou pagos para cometer atos de violência em nome de organizações estrangeiras e estados hostis", disse Rowley.
No último mês, policiais prenderam mais de vinte pessoas como parte das investigações sobre ataques a locais ligados à comunidade judaica, incluindo a queima de ambulâncias judaicas, em uma área próxima ao local dos esfaqueamentos de quarta-feira, e tentativas de incêndio criminoso em sinagogas.
O bairro de Golders Green, no norte de Londres, abriga uma grande população judaica e foi palco de vários desses ataques, assim como locais próximos à embaixada israelense, no oeste de Londres.
Os ataques antissemitas aumentaram em todo o mundo desde o ataque do Hamas a Israel em outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza, incluindo um massacre durante uma celebração de Hanukkah na praia de Bondi, na Austrália, que matou 15 pessoas em dezembro do ano passado.


