Polícia da Rússia prende 850 pessoas em protestos contra ataques à Ucrânia

As manifestações ocorreram em 44 cidades russas, de acordo com o monitor de protestos OVD-Info

Anastasia Teterevleva, da Reuters, Moscou
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A polícia russa deteve nesta quinta-feira (24) ao menos 850 pessoas em protestos contra os ataques do país à Ucrânia. As manifestações ocorreram em 44 cidades russas, de acordo com o monitor de protestos OVD-Info. Uma pesquisa feita com exclusividade pela CNN mostra que 25% dos russos entrevistados é contra a guerra contra o país vizinho.

A Rússia lançou uma operação militar maciça contra a Ucrânia nas primeiras horas desta quinta. O monitor OVD-Info documenta repressão à oposição da Rússia por anos.

Em Mostou, a polícia de choque tentou impedir a manifestção na Praça Pushkinskaya informando por alto-falantes que a “ação [de protesto] não é autorizada”. Uma equipe da CNN testemunhou a prisão de manifestantes. Alguns carregavam cartazes com mensagens, incluindo vários com dizeresm “não à guerra”.

As autoridades russas alertaram na quinta-feira os cidadãos que participar de protestos anti-guerra pode levar a processos e acusações criminais.

 

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Entenda o conflito

Após meses de escalada militar e intemperança na fronteira com a Ucrânia, a Rússia atacou o país do Leste Europeu. No amanhecer desta quinta-feira (24), as forças russas começaram a bombardear diversas regiões do país - acompanhe a repercussão ao vivo na CNN.

Horas mais cedo, o presidente russo, Vladimir Putin, autorizou uma "operação militar especial" na região de Donbas (ao Leste da Ucrânia, onde estão as regiões separatistas de Luhansk e Donetsk, as quais ele reconheceu independência).

O que se viu nas horas a seguir, porém, foi um ataque a quase todo o território ucraniano, com explosões em várias cidades, incluindo a capital Kiev. De acordo com autoridades ucranianas, dezenas de mortes foram confirmadas nos exércitos dos dois países.

Em seu pronunciamento antes do ataque, Putin justificou a ação ao afirmar que a Rússia não poderia “tolerar ameaças da Ucrânia”. Putin recomendou aos soldados ucranianos que “larguem suas armas e voltem para casa”.

O líder russo afirmou ainda que não aceitará nenhum tipo de interferência estrangeira.Esse ataque ao ex-vizinho soviético ameaça desestabilizar a Europa e envolver os Estados Unidos.

A Rússia vem reforçando seu controle militar em torno da Ucrânia desde o ano passado, acumulando dezenas de milhares de tropas, equipamentos e artilharia nas portas do país.Nas últimas semanas, os esforços diplomáticos para acalmar as tensões não tiveram êxito.A escalada no conflito de anos entre a Rússia e a Ucrânia desencadeou a maior crise de segurança no continente desde a Guerra Fria, levantando o espectro de um confronto perigoso entre as potências ocidentais e Moscou.
(Com informações de Sarah Marsh e Madeline Chambers, da Reuters, e de Eliza Mackintosh, da CNN e da CNN em Moscou)