Crítico do governo, Navalny retorna à Rússia após envenenamento e é detido

É a primeira vez que Navalny retorna para casa desde que foi envenenado, em agosto

Navalny na chegada ao aeroporto de Moscou neste domingo (17)
Navalny na chegada ao aeroporto de Moscou neste domingo (17) Foto: REUTERS/Polina Ivanova (17/1/2021)

Polina Ivanova e Maria Vasilyeva,

da Reuters

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A polícia russa deteve o crítico do Kremlin, Alexei Navalny, no controle de passaportes, depois que ele voltou para a Rússia neste domingo, disseram seu advogado, o serviço prisional e testemunhas.

É a primeira vez que Navalny retorna para casa desde que foi envenenado, em agosto. Seu avião foi desviado a outro aeroporto de Moscou no último minuto, em uma aparente tentativa das autoridades de frustrar jornalistas e apoiadores preparados para recebê-lo.

Seu avião deveria chegar ao aeroporto de Vnukovo, em Moscou, mas acabou aterrissando no aeroporto de Sheremetyevo, também na capital russa. O voo foi operado pela companhia aérea russa Pobeda, da Aeroflot, empresa controlada pelo Estado.

Navalny, um dos mais proeminentes críticos domésticos do presidente Vladimir Putin, foi transferido a Berlim, em agosto do ano passado, para tratamento médico emergencial, após ser envenenado com o que exames alemães identificaram como o agente nervoso Novichok.

“Este é o melhor momento dos últimos cinco meses”, disse ele a repórteres, após embarcar no voo na capital alemã, com destino a Moscou. “Eu me sinto ótimo. Finalmente estou voltando para minha cidade natal”.

Ele anunciou a decisão de retornar na última quarta-feira, e, um dia depois, o serviço prisional de Moscou afirmou que faria de tudo para prendê-lo, assim que ele chegasse, acusando-o de desrespeitar os termos de uma sentença de prisão suspensa por peculato, um caso de 2014 que ele afirma ter sido inventado.

O homem de 44 anos, que entrou no avião de última hora após sair de um carro estacionado na pista, e portanto evitando outros passageiros, minimizou o risco de voltar para casa.

Ele disse que não achava que seria preso, declarando-se uma pessoa inocente.

“Do que preciso ter medo? Quais coisas ruins podem acontecer comigo na Rússia?”, acrescentou. “Eu me sinto um cidadão da Rússia que tem todo o direito de voltar”, acrescentou.

Ele estava acompanhado da esposa Yulia, sua porta-voz, e seu advogado.

Navalny, que espera vencer eleições ao parlamento em setembro, pode ter mais problemas em outros três casos criminais, que, segundo ele, são motivados por política.

Seu retorno é um dilema para o Kremlin: prendê-lo e correr o risco de protestos e ações punitivas do Ocidente, tornando-o um mártir político. Ou fazer nada e correr o risco de parecer fraco aos olhos da linha dura do Kremlin.

O político, que diz estar quase completamente recuperado, diz que Putin estava por trás do seu envenenamento. O Kremlin nega envolvimento, dizendo que não há evidências de que ele foi envenenado, e que ele estava livre para voltar à Rússia.

Navalny diz que o Kremlin tem medo dele. O Kremlin, que se refere a ele apenas como o “paciente de Berlim”, ri dessa declaração. Os aliados de Putin apontam para uma pesquisa que mostra que o líder russo é muito mais popular do que Navalny, a quem chamam de blogueiro em vez de político.

Antes das notícias de que seu avião estava sendo desviado a outro aeroporto, alguns apoiadores se reuniram no aeroporto de Vnukovo, apesar da temperatura de 20 graus negativos e mais de 4.500 novos casos de coronavírus por dia na capital russa.

A polícia realizou várias detenções no aeroporto e dispersou uma multidão de pessoas esperando a chegada de Navalny, testemunharam repórteres da Reuters.

(Por Polina Ivanova, Maria Tsvetkova, Andrew Osborn, Maria Vasilyeva, Anton Zverev, Gleb Stolyarov e Tom Balmforth)

 

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