Premiê eleito da Hungria insinua que Netanyahu será preso caso vá ao país

Péter Magyar afirmou que pretende reintregrar Budapeste ao sistema do Tribunal Penal Internacional, onde o primeiro-ministro israelense possui u mandado de prisão expedido

Max Saltman e Heather Law, da CNN
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O primeiro-ministro eleito da Hungria, Péter Magyar, insinuou que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, seria preso se visitasse Budapeste devido ao mandado de prisão expedido pelo TPI (Tribunal Penal Internacional) contra ele.

"Se um país é membro do Tribunal Penal Internacional e uma pessoa com mandado de prisão entra em nosso território, essa pessoa deve ser detida", disse Magyar a jornalistas nesta segunda-feira (20), segundo tradução da Reuters.

Magyar também afirmou ter informado Netanyahu sobre seu desejo de reintegrar a Hungria ao sistema do TPI. O primeiro-ministro em exercício, Viktor Orbán, cultivou laços estreitos com o governo de Netanyahu e havia encaminhado a Hungria para deixar o Tribunal Penal Internacional antes de receber Netanyahu em Budapeste em 2025.

Netanyahu e o ex-ministro da Defesa israelense, Yoav Gallant, são alvos de mandados de prisão expedidos pelo TPI em 2024 por supostos crimes de guerra cometidos durante a guerra em Gaza. Ambos negam as acusações.

Quem é Peter Magyar

Peter Magyar, cujo nome de família significa literalmente "húngaro", ganhou destaque há dois anos depois que sua ex-mulher, Judit Varga, ex-ministra da Justiça de Orbán, renunciou a todos os cargos políticos após o perdão de um caso de abuso sexual que causou alvoroço público.

Ele rapidamente se distanciou do partido governista e acusou o Fidesz de corrupção e de espalhar propaganda, dizendo que estava desiludido.

Apenas quatro meses depois de emergir do esquecimento quase total com uma entrevista no canal Partizan do YouTube, o novo partido de Magyar obteve 30% dos votos nas eleições europeias de junho de 2024, terminando em segundo lugar atrás do Fidesz e esmagando o resto da oposição.

Em contraste a Orbán, Magyar se comprometeu a reconstruir a inclinação da Hungria ao Ocidente e a acabar com a dependência da energia russa até 2035, ao mesmo tempo que se esforça por "relações pragmáticas" com Moscou. Ele também prometeu desbloquear os fundos congelados da União Europeia, o que ajudaria a impulsionar a economia estagnada da Hungria.

Mas Magyar está agindo com cuidado, tentando não assustar os eleitores mais conservadores. Ele se inspirou na estratégia de Orban nestas eleições, com comícios sempre cheios de bandeiras e apelando ao patriotismo dos eleitores húngaros.

Nascido em 1981 em uma família de advogados, Magyar também estudou Direito. Ele se casou com Judit Varga em 2006 e juntou-se ao corpo diplomático da Hungria em Bruxelas. Depois de voltar à Hungria, passou a trabalhar em um banco estatal e depois dirigiu uma agência de empréstimos estudantis.

Magyar e a esposa, que se divorciaram em 2023, têm três filhos. O político se descreve como religioso e diz que gosta de cozinhar e jogar futebol com amigos e filhos.

Após a vitória, ele cumprimentou milhares de apoiadores no exterior da sede do Tisza, na capital Budapeste, e balançou uma bandeira húngara ao som de "My Way”, de Frank Sinatra.

O líder do Tisza prometeu uma transição pacífica e suave e disse que os húngaros votaram "SIM!" pela Europa.

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