Presidente da África do Sul visita vítimas de enchentes; número de mortos chega a 259

Província de KwaZulu-Natal foi uma das regiões fortemente atingidas pelas chuvas

Nuvens escuras passam sobre praia onde lixo se juntou após enchentes; população foi orientada a ficar em casa devido ao risco de novas chuvas
Nuvens escuras passam sobre praia onde lixo se juntou após enchentes; população foi orientada a ficar em casa devido ao risco de novas chuvas Foto: Linda Chisholm/picture alliance via Getty Images

Tim CocksOlivia Kumwenda-MtamboNqobile Dludlada Reuters

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O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, prometeu, nesta quarta-feira (13), ajudar as vítimas das devastadoras enchentes na costa leste do país, já que o número de mortos subiu para 259 devido às fortes chuvas que lavaram estradas e interromperam o transporte em um dos portos mais movimentados da África.

Ramaphosa visitou famílias que perderam entes queridos na província de KwaZulu-Natal, incluindo uma família com quatro filhos, depois que enchentes e deslizamentos de terra devastaram suas casas na terça-feira (12).

A costa sudeste da África está na linha de frente dos desastres climáticos marítimos que os cientistas acreditam ser consequência do aquecimento global — e preveem que ficará muito pior nas próximas décadas.

“Você não está sozinho… Faremos tudo ao nosso alcance para ver como podemos ajudar”, disse o presidente sul-africano. “Mesmo que seus corações estejam doloridos, estamos aqui para você.”

Nonala Ndlovu, diretor-chefe do Departamento de Governança Cooperativa de KwaZulu-Natal, disse à agência de notícias Reuters na noite desta quarta-feira que o número de mortos não havia sido atualizado além dos 259 relatados no início do dia.

O país vizinho ao norte da África do Sul, Moçambique, sofreu uma série de inundações devastadoras na última década, incluindo uma no mês passado que matou mais de 50 pessoas.

“Você está lutando contra um dos maiores incidentes que já vimos e pensamos que isso só acontece em outros países como Moçambique ou Zimbábue”, disse Ramaphosa às vítimas.

Meli Sokela, uma vítima que perdeu seu filho na enchente, disse à Reuters que quando a área foi inundada na noite de segunda-feira, ele pôde ouvir sons como uma tempestade atingindo o telhado de sua casa e, imediatamente depois, as paredes de sua casa desmoronaram.

“Meus vizinhos tentaram me ajudar, demorou duas horas. Depois de duas horas eu sobrevivi, mas infelizmente meu filho não sobreviveu”, disse ele.

Mudanças climáticas

Um relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) em fevereiro alertou que a humanidade estava longe de estar pronta para as mudanças climáticas, que já estão incorporadas ao sistema por décadas de queima de combustíveis fósseis e desmatamento. O órgão instou o mundo a aumentar os investimentos em adaptação.

“Nada disso é surpreendente, mas é absolutamente devastador. Você pode imaginar o custo para a vida das pessoas? As estradas, os portos… é enorme”, afirmou Melissa Fourie, comissária da Comissão Presidencial do Clima de Ramaphosa e chefe do Centro de Direitos Ambientais.

“Na África do Sul, ainda estamos falando sobre a transição dos combustíveis fósseis como se fosse opcional. Temos que parar de queimá-los. E temos que começar a nos preparar para as mudanças climáticas que já temos”, completou

A fabricante sul-africana de papel e celulose Sappi SAPJ.J disse  que as inundações impediram a viagem de funcionários para o trabalho e o transporte de mercadorias foi interrompido, afetando três fábricas.

A maior operadora de logística e frete da África do Sul, a Transnet, que administra o porto de Durban, retomou gradualmente as operações na quarta-feira após suspendê-las na terça-feira, disse o Ministério das Empresas Públicas.

A varejista de roupas de baixo custo Pepkor PPHJ.J fechou seu centro de distribuição em Durban após sofrer danos.

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