Presidente de Portugal antecipa eleições gerais para 30 de janeiro

Decisão acontece uma semana após o parlamento rejeitar o projeto de lei sobre o orçamento de 2022

Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa
Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa Reprodução/Presidência da República Portuguesa

Catarina DemonySergio Gonçalvesda Reuters

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O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, antecipou, nesta quinta-feira (4), as eleições gerais para 30 de janeiro. A decisão acontece uma semana depois do parlamento rejeitar o projeto de lei sobre o orçamento de 2022 do governo socialista minoritário, encerrando seis anos de relativa estabilidade política.

“Em momentos como este, sempre há uma solução na democracia, sem drama ou medos, para devolver a palavra ao povo”, disse Marcelo.

A maioria dos portugueses parecia resignada com o fato de uma votação antecipada, mesmo que necessária, apenas perpetuar o impasse político, trazendo mais dificuldades.

Uma pesquisa de opinião da Aximage divulgada nessa quinta-feira mostrou que 54% dos 803 entrevistados pensaram que a antencipação do pleito seria “ruim para o país”, com 68% acreditando que nenhum partido ganharia a maioria dos assentos no parlamento.

O Conselho de Estado aprovou, na quarta-feira (3), uma proposta de dissolução do parlamento na sequência da rejeição da proposta de orçamento.

“Mais ou menos, estávamos bastante estáveis, especialmente devido à situação de pandemia”, disse o aposentado Leonel Pereira, 66, à Reuters na quinta-feira. “Se eles continuassem assim por mais um tempo, seria bom para nós.” Marta Amaral, 51, de Lisboa chamou a eleição de “um mal necessário”. “Não vai ser bom, mas não há outra saída”, disse ela.

Uma eleição por si só pode não resolver o impasse político. As pesquisas de opinião mostram que nenhum partido ou aliança tem probabilidade de alcançar uma maioria estável.

Ainda assim, outra moradora de Lisboa, Sônia Oliveira, 44, estava esperançosa. “Espero que hajam mais coalizões, que se unam mais para o bem do povo, porque somos nós que estamos sofrendo, mais ninguém”.

Os mercados reagiram com calma até agora, com o rendimento dos títulos de dez anos de Portugal flutuando amplamente em estabilidade com os demais países da União Europeia nos últimos dias, e caindo para os níveis de meados de outubro na quinta-feira.

O apoio aos socialistas, de centro-esquerda, pouco mudou em relação aos 36% que eles ganharam na última eleição nacional em 2019, com os social-democratas de centro-direita em segundo lugar, com cerca de 27%.

O único partido que pode se beneficiar claramente da eleição é o Chega, de extrema direita, que poderia emergir como a terceira força mais forte no parlamento. Entretanto, ele é visto por analistas políticos como um parceiro potencial muito tóxico para qualquer outro partido.

 

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