Presidente do Quênia ordena que polícia atire na perna de manifestantes
Manifestações protestam contra o custo de vida no país, corrupção e repressão policial

O presidente do Quênia, William Ruto, disse nesta quarta-feira (9) que a polícia deveria atirar na perna de manifestantes que vandalizam estabelecimentos comerciais para impedi-los.
A morte do blogueiro político Albert Ojwang sob custódia policial levou centenas de quenianos às ruas no mês passado, reacendendo um movimento de protesto contra o custo de vida no país, corrupção e repressão policial.
"Qualquer pessoa que tente queimar a propriedade de outra pessoa, alguém assim, deveria levar um tiro na perna e ir para o hospital a caminho do tribunal", disse Ruto em um discurso. "Eles não deveriam matar a pessoa, mas sim bater nas pernas para quebrá-las."
A fala acontece dois dias após a morte de 31 pessoas em manifestações antigovernamentais em todo o país.
Recentemente, a polícia bloqueou grandes áreas da capital, Nairóbi, e usou gás lacrimogêneo, canhões de água e disparou contra a multidão. Alguns supermercados, empresas e hospitais foram saqueados, danificados ou incendiados.
Onda de protestos
Manifestantes, em sua maioria jovens adultos que procuram oportunidades de emprego, dizem que Ruto será um líder de um único mandato.
Ele chegou ao poder há quase três anos como um defensor dos pobres que prometeu acabar com as execuções extrajudiciais, mas seu governo respondeu à crescente insatisfação pública com rebeldia.
O ministro queniano Kipchumba Murkomen classificou os protestos do mês passado como uma "tentativa de golpe" por parte do que chamou de "anarquistas criminosos".
A Comissão Nacional de Direitos Humanos do Quênia, financiada pelo governo, afirmou que gangues criminosas, com chicotes e facões, pareciam estar operando ao lado da polícia em Nairóbi e na cidade de Eldoret, no Vale do Rift, durante os protestos.
"Aqueles que atacam quenianos, policiais, instalações de segurança e empresas são terroristas. Tais atos criminosos são uma declaração de guerra", publicou Ruto mais tarde na quarta-feira no X.
"Não permitiremos que nosso país seja destruído por elementos retrógrados que buscam atalhos para chegar ao poder."


