Protestos contra governo no Quênia deixam 11 mortos, dizem autoridades

Onda de manifestações contra crise econômica e aumento de impostos começaram em 2024; ao menos 500 pessoas foram presas

Nimi Princewill e Catherine Nicholls, da CNN
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Ao menos 11 pessoas morreram e mais de 500 foram presas em protestos antigovernamentais no Quênia nesta segunda-feira (7), de acordo com o Serviço Nacional de Polícia do país.

Na capital Nairóbi as forças de segurança repeliram manifestantes com gás lacrimogêneo e canhões de água que marcavam presença no 35º aniversário da marcha pró-democracia de 7 de julho de 1990, conhecida como Saba Saba.

As vias que levam ao prédio do Parlamento queniano, bem como ao gabinete e à residência do presidente, foram bloqueadas com barricadas antes das manifestações.

Além disso, 11 civis ficaram feridos, informou a polícia em um comunicado na noite desta segunda-feira (7), embora a Comissão Nacional de Direitos Humanos do Quênia (KNHCR) tenha relatado que 29 pessoas ficaram feridas. Ao todo, 567 pessoas foram presas, acrescentou a polícia.

O país do leste da África foi atingido por uma onda de protestos sangrentos que começaram no ano passado devido a um projeto de lei impopular sobre finanças que aumentou impostos em meio a uma crise de custo de vida.

O governo retirou a lei tributária em junho do ano passado, após as manifestações, mas a indignação se intensificou com a recente morte de um professor sob custódia policial e o assassinato a tiros de um vendedor ambulante desarmado pela polícia.

Houve relatos de policiais abrindo fogo contra manifestantes. A CNN entrou em contato com o Serviço Nacional de Polícia do Quênia para obter comentários.

Em um comunicado divulgado descrevendo mortes, detalhes sobre os feridos e prisões, o serviço policial do Quênia afirmou que "cada caso relatado será sujeito a uma investigação mais aprofundada, de acordo com a lei".

A Citizen TV, afiliada da CNN, noticiou que pelo menos cinco pessoas foram mortas a tiros em protestos em todo o país, incluindo duas pessoas no bairro de Kangemi, em Nairóbi. Outro homem foi baleado na área e foi "visto caído na rua", inconsciente, acrescentou.

Um vídeo que circula nas redes sociais e que foi geolocalizado pela CNN mostra um civil no condado de Kiambu, no Quênia, saindo de um carro cercado por policiais armados e sendo chicoteado repetidamente por um deles.

O civil cobre a cabeça para se proteger, mas não parece estar ameaçando o policial de forma alguma.

Manifestações em outras partes do Quênia

Em outras partes do país, alguns manifestantes continuaram desafiando as autoridades, apesar das cenas caóticas.

"Não estamos prontos para voltar (para casa), porque quem lutará por nossos direitos? Estaremos aqui até a noite", disse o manifestante Francis Waswa à Reuters.

A repressão ocorre depois que indivíduos descritos pela Comissão Queniana de Direitos Humanos como "capangas contratados" que foram "enviados pelo Estado para silenciar a dissidência" invadiram o escritório da ONG.

Em um comunicado divulgado na noite de domingo, o órgão de direitos humanos afirmou que aqueles que entraram no prédio "interromperam violentamente uma coletiva de imprensa de mães quenianas que pediam o fim das prisões arbitrárias, desaparecimentos forçados e execuções extrajudiciais contra manifestantes antes das manifestações de Saba Saba".

Ao ser questionado pela CNN sobre essa alegação, o porta-voz do governo queniano, Isaac Mwaura, pediu  que "contatasse o porta-voz da polícia".

O porta-voz da polícia, Nyaga, afirmou: "O Serviço Nacional de Polícia está investigando o incidente e tomará as medidas cabíveis após analisar o vídeo inaceitável", referindo-se às imagens de circuito interno de TV compartilhadas pela ONG.

No domingo, o Secretário do Ministro do Interior, Kipchumba Murkomen, afirmou que as agências de segurança estavam "em alerta máximo para lidar decisivamente com criminosos e outros elementos mal-intencionados que possam tentar se infiltrar em procissões pacíficas para causar estragos, caos ou destruição de propriedade".

Murkomen descreveu anteriormente as manifestações do mês passado como "terrorismo disfarçado de dissidência", em uma declaração que reacendeu ainda mais a indignação.

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