Primeiro-ministro da Etiópia afirma que liderará tropas contra rebeldes

País vive prolongada guerra civil que, segundo relatos, carrega as marcas do genocídio e tem potencial de desestabilizar a região do Chifre da África

Em novembro de 2020, Abiy ordenou uma ofensiva militar na região norte de Tigré e prometeu que o conflito seria resolvido rapidamente
Em novembro de 2020, Abiy ordenou uma ofensiva militar na região norte de Tigré e prometeu que o conflito seria resolvido rapidamente Reuters

Bethlehem Felekeda CNN*

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O primeiro-ministro etíope e ganhador do Prêmio Nobel da Paz, Abiy Ahmed, anunciou que liderará os soldados de seu país na linha de frente da guerra contra o avanço dos combatentes rebeldes, na mais recente escalada do conflito que já dura um ano entre seu governo e grupos rebeldes da região norte do Tigré.

“A partir de amanhã, comandarei a guerra de frente para liderar as forças de defesa pessoalmente”, escreveu ele em um comunicado no Twitter na noite de segunda-feira, pedindo aos cidadãos para “liderar o país com sacrifício” e se juntar a ele. ”Aquele de vocês que almejam ser um dos filhos da Etiópia que será celebrado na história, levante-se hoje pelo seu país, vamos nos encontrar na frente de guerra.”

“No passado e no presente, as necessidades e vidas de cada um de nós estão abaixo das necessidades da Etiópia“, acrescentou Abiy. “Preferimos morrer para salvar a Etiópia do que sobreviver à Etiópia.”

Abiy se referiu ao ataque como a “luta final para salvar a Etiópia” dos “inimigos internos e externos” que ele afirma estarem “prontos para construir sua força sobre a fraqueza da Etiópia”.

A declaração foi feita depois que a Frente de Libertação do Povo Tigrayan (TPLF) – o antigo partido governante de Tigré – alegou que seus combatentes haviam capturado duas cidades enquanto avançavam em direção à capital Adis Abeba, mais de um ano após o conflito eclodir no norte do país.

Uma das cidades que a TPLF afirma ter sido capturada no sábado inclui Shewa Robit, que fica a cerca de 220 km a nordeste de Addis Abeba. A CNN não conseguiu entrar em contato com o governo federal para comentar a declaração.

O porta-voz da TPLF, Getachew Reda, respondeu à declaração de Abiy em um tweet, avisando que “nossas forças não cederão em seu avanço inexorável para acabar com o estrangulamento de nosso povo”.

Enquanto o primeiro-ministro está no campo de batalha, seus deveres e os deveres de outros administradores que se juntaram à luta serão feitos por funcionários federais e regionais que “trabalharão em sua capacidade máxima” para supervisionar o desenvolvimento e a administração do país.

“Etiópia é o nome dos vencedores”, concluiu Abiy, “nunca duvido que minha geração pagará o preço em seu nome como um ícone da liberdade.”

Quando Abiy recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2019 por encerrar uma guerra de 20 anos entre a Etiópia e a Eritreia, ele foi elogiado como um pacificador regional. Agora, ele está presidindo uma prolongada guerra civil com rebeldes em Tigré que, segundo muitos relatos, carrega as marcas do genocídio.

Em novembro de 2020, Abiy ordenou uma ofensiva militar na região norte de Tigray e prometeu que o conflito seria resolvido rapidamente. Um ano depois, o conflito deixou milhares de mortos, desalojou mais de 2 milhões de pessoas de suas casas, alimentou a fome e deu origem a uma onda de atrocidades.

* (Texto traduzido. Clique aqui para ler o original).

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