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    Principal maternidade de Rafah, na Faixa de Gaza, deixa de admitir pacientes

    Unidades de saúde de cidade sitiada enfrentam ainda mais pressão com cerco israelense

    Um homem sentado nos escombros de um prédio destruído após os ataques israelenses no bairro de al-Salam em Rafah, Gaza, em 5 de maio.
    Um homem sentado nos escombros de um prédio destruído após os ataques israelenses no bairro de al-Salam em Rafah, Gaza, em 5 de maio. Abed Rahim Khatib/Anadolu/Getty Images via CNN Newsource

    Maggie Fickda Reuters

    A principal maternidade da cidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, parou de admitir pacientes, informou o Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa) nesta quarta-feira (8).

    O Unfpa disse à Reuters que o Hospital Maternidade Al Helal Al Emirati cuidava de cerca de 85 nascimentos por dia, de um total de 180 em Gaza, antes de uma escalada dos combates entre o Hamas e as tropas israelenses nos arredores de Rafah.

    Cerca de metade dos 2,3 milhões de habitantes de Gaza se refugiaram em Rafah depois de fugirem de outras partes do território palestino devido aos ataques israelenses.

    Israel ameaçou um grande ataque a Rafah para derrotar o Hamas. Cerca de 10 mil palestinos deixaram Rafah desde segunda-feira (6), disse um funcionário da agência da ONU para refugiados palestinos nesta quarta.

    O Hospital Emirati tem apenas cinco leitos de parto. Entretanto, após o fluxo de pessoas para Rafah, a unidade de saúde se tornou o principal local para as mulheres darem à luz em Rafah, pontuou Dominic Allen, principal funcionário do Unfpa para os territórios palestinos ocupados em entrevista à Reuters no mês passado.

    Outros hospitais da cidade, como o Abu Youssef al-Najjar, admitem feridos de guerra e encaminham mulheres em trabalho de parto para o Emirati há meses.

    Não ficou imediatamente claro onde as mulheres em Rafah poderiam dar à luz se precisassem fazer isso em um hospital.

    “Os parceiros humanitários, em coordenação com o Ministério da Saúde [local], criaram instalações de saúde alternativas que podem fornecer diferentes níveis de cuidados”, pontuou o comunicado do Unfpa à Reuters.

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) espera que o hospital Al Helal Al Emirati não seja forçado a fechar, ressaltou o principal funcionário da OMS para Gaza e Cisjordânia, Richard Peeperkorn, em entrevista coletiva.

    Mas desde a última escalada da guerra, de acordo com Peeperkorn, algumas mulheres em Rafah começaram a frequentar hospitais de campanha, operados por instituições de caridade, incluindo o Corpo Médico Internacional.

    Serviços móveis de maternidade

    O Unfpa também trouxe recentemente “serviços móveis de maternidade” para Rafah, embora alguns dos equipamentos da agência da ONU tenham ficado “presos” na fronteira com o Egito, acrescentou.

    Uma parteira americana que atualmente trabalha como voluntária no Emirati afirmou à Reuters na tarde desta quarta-feira que novos pacientes ainda estavam sendo internados no hospital, mas menos mulheres chegaram para dar à luz nos últimos dias.

    Bridget Rochios, que é voluntária na instituição de caridade médica Glia Project, com sede no Canadá, disse que os funcionários da unidade de saúde tiveram que sair do trabalho mais cedo ou nem compareceram para retirar suas famílias de casa desde segunda-feira, quando Israel disse aos palestinos para saírem de partes de Rafah.

    “Também estamos com poucos suprimentos e prevemos que este problema seja agravado pelo encerramento da fronteira de Rafah”, advertiu.