Procurador espanhol vai recolher informações sobre abuso infantil na Igreja Católica

Escritórios regionais terão dez dias para compilar dados sobre o assunto

Catedral de Nossa Senhora do Pilar, às margens do rio Ebro, na Espanha
Catedral de Nossa Senhora do Pilar, às margens do rio Ebro, na Espanha Wikimedia Commons

Emma Pinedoda Reuters

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O promotor público da Espanha ordenou que escritórios regionais apurem todas as investigações judiciais em andamento sobre abuso sexual de menores pela Igreja Católica, enquanto o Parlamento deu o primeiro passo para potencialmente abrir sua própria investigação.

O promotor deu a cada região dez dias para compilar as informações, disse uma fonte do promotor à Reuters nesta terça-feira (1).

A Conferência Episcopal da Espanha não respondeu a um pedido de comentário.

A medida ocorre depois que a Igreja Católica da Espanha disse no mês passado que criaria comissões em nível de diocese para ouvir reclamações de vítimas de abuso, após uma reunião de seus líderes seniores com o papa em Roma.

Denúncias

A Igreja espanhola tem uma página especial em seu site sobre como lidar com casos de abuso, onde diz que quando uma denúncia é feita à Igreja, todas as evidências coletadas seriam enviadas diretamente ao Vaticano.

Também incentiva as vítimas a se apresentarem e apresentarem o caso no escritório do promotor.

O jornal El Pais publicou em dezembro os resultados de uma investigação de três anos que revelou ter descoberto possíveis abusos de 251 padres e alguns leigos de instituições religiosas contra pelo menos 1.237 vítimas entre 1943 e 2018.

Na semana passada, o primeiro-ministro socialista da Espanha, Pedro Sanchez, se encontrou com Juan José Omella, presidente da Conferência Episcopal da Espanha, e se reunirá esta semana com uma suposta vítima de abuso.

O governo disse em comunicado que o procurador, que opera de forma independente, está a agir “no âmbito da sua autonomia e competências”.

“Essas ações não substituem as medidas que o governo está considerando para esclarecer os fatos e evitar novos casos”, afirmou em comunicado.

Separadamente, o parlamento da Espanha aprovou uma votação em uma moção de alguns pequenos partidos de esquerda para estabelecer sua própria investigação sobre o assunto, embora tal comissão levaria tempo para se materializar e provavelmente enfrentaria oposição de partidos de direita.

Os escândalos de abuso sexual na Igreja Católica global chegaram às manchetes pela primeira vez em 2002, quando o jornal americano Boston Globe escreveu uma série de artigos expondo o abuso de menores por clérigos e uma cultura generalizada de ocultação dentro da Igreja.

Desde então, centenas de milhares de casos surgiram em todo o mundo.

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