Procurador-geral do Irã diz que ação contra manifestantes será implacável
País vive onda de protestos há duas semanas que já deixaram pelo menos 65 pessoas mortas e mais de duas mil detidas

O procurador-geral do Irã, Mohammad Movahedi Azad, afirmou que os processos legais contra os manifestantes serão conduzidos “sem clemência, misericórdia ou apaziguamento”, segundo a agência de notícias semioficial Tasnim.
“As acusações contra todos os manifestantes são as mesmas”, disse ele, de acordo com a Tasnim. “Sejam indivíduos que ajudaram manifestantes e terroristas na destruição e danos à segurança pública e à propriedade, ou mercenários que pegaram em armas e semearam medo e terror entre os cidadãos.”
Movahedi Azad afirmou que “todos os criminosos são inimigos nesta questão”.
O procurador de Teerã declarou na sexta-feira (9) que atos de vandalismo contra a propriedade pública serão considerados “moharebeh”, traduzido como “guerra contra Deus”, segundo a Tasnim. A punição para moharebeh inclui pena de morte.
Pelo menos 65 pessoas morreram e mais de 2.300 foram presas em todo o país durante as manifestações contra o atual regime, segundo a agência de notícias HRANA (Human Rights Activists News Agency), sediada nos Estados Unidos.
A Guarda Revolucionária do Irã alertou neste sábado (10) que a proteção da segurança era uma "linha vermelha" e os militares prometeram proteger a propriedade pública, enquanto o regime intensificava os esforços para conter os protestos mais generalizados dos últimos anos.
As declarações vieram depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, emitiu um novo alerta aos líderes iranianos na sexta-feira (9) e depois que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, declarou neste sábado: "Os Estados Unidos apoiam o bravo povo do Irã".
Os protestos continuaram durante a noite. A mídia estatal informou que um prédio municipal foi incendiado em Karaj, a oeste de Teerã, capital do país, e culpou "manifestantes violentos".
A TV estatal transmitiu imagens dos funerais de membros das forças de segurança que, segundo ela, foram mortos em protestos nas cidades de Shiraz, Qom e Hamedan.
Os protestos se espalharam por grande parte do Irã nas últimas duas semanas, começando como resposta à inflação crescente, mas rapidamente se tornaram políticos, com manifestantes exigindo o fim do regime islâmico.
As autoridades acusam os EUA e Israel de fomentarem os "distúrbios". Grupos de direitos humanos documentaram dezenas de mortes de manifestantes.



