Ataque da Ucrânia à Rússia é um dos maiores da história, diz professor
Forças ucranianas destruíram um terço dos bombardeiros russos em ataque estratégico, causando prejuízo de US$ 7 bilhões à Rússia às vésperas de negociações
O ataque da Ucrânia à Rússia no último domingo (1º) está sendo considerado uma das maiores operações militares de inteligência da história, de acordo com o pesquisador de Harvard e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Vitelio Brustolin.
Em entrevista à CNN, o especialista avalia que a ofensiva surge em uma demonstração de engenhosidade e eficácia das forças ucranianas, que conseguiram destruir cerca de um terço de todos os bombardeiros russos.
Entre as aeronaves atingidas estão modelos como o TU-95, TU-22 e o supersônico TU-160, além dos aviões A-50, utilizados para coordenar alvos e detectar defesas aéreas e mísseis guiados.
Impacto econômico e estratégico
O prejuízo estimado para a Rússia é de aproximadamente 7 bilhões de dólares, segundo o Financial Times. Contudo, o especialista avalia que o impacto vai além do aspecto financeiro.
"A incapacidade de repor rapidamente esses equipamentos representa um golpe significativo na capacidade militar russa, especialmente considerando que algumas dessas aeronaves, como o TU-95, não são mais produzidas", diz Vitélio.
É notável o contraste entre o custo dos drones utilizados na operação ucraniana, estimado em cerca de 500 dólares cada, e o valor das aeronaves destruídas, que podem chegar a 100 milhões de dólares por unidade, dependendo do equipamento que carregam.
Contexto das negociações
Este ataque ocorre às vésperas de uma nova rodada de negociações entre representantes da Rússia e da Ucrânia, marcada para esta segunda-feira (2) em Istambul, Turquia.
Ambos os lados buscam chegar à mesa de negociações em posições de força, uma estratégia comum em conflitos deste tipo.
No entanto, as expectativas para avanços significativos nas negociações permanecem baixas. A Ucrânia será representada pelo ministro da defesa, enquanto a Rússia envia um assessor de segundo ou terceiro escalão, Vladimir Medinsky, que tem poderes limitados de negociação.
Esta configuração sugere que o Kremlin pode estar usando as negociações como uma tática para ganhar tempo.

