Professor: EUA poderão reduzir preços do petróleo

Lucas de Souza Martins, da Temple University, explicou ao CNN Novo Dia que interesses americanos nas reservas venezuelanas de petróleo podem ajudar a baixar preços de combustíveis e conter inflação

Da CNN Brasil
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O professor Lucas de Souza Martins, da Temple University, analisou no CNN Novo Dia as repercussões dos recentes ataques dos Estados Unidos à Venezuela, destacando como esta ação militar pode ter impactos significativos na economia americana e na geopolítica global.

De acordo com o especialista, as reações nos Estados Unidos têm sido variadas. No Congresso americano, dominado atualmente pelos republicanos, especialmente aqueles ligados ao movimento MAGA (Make America Great Again), há um forte apoio às ações contra o governo venezuelano. "Pelo menos desse lado da política americana, há um apoio total ao que representou a deposição de Nicolás Maduro", afirmou Martins.

Entre os democratas, embora haja críticas à forma como a operação foi conduzida, existe concordância com a narrativa oficial sobre a relação do governo venezuelano com o tráfico de drogas. O professor destacou que a Casa Branca tem apresentado esta questão como uma das principais justificativas para a intervenção, algo que encontra respaldo em ambos os partidos políticos.

Interesses econômicos e eleitorais

Um aspecto fundamental destacado pelo professor é o interesse americano nas reservas petrolíferas venezuelanas. "A questão do petróleo, por exemplo, de reduzir preços de fretes nos Estados Unidos, também reduz a produção de plástico, o acesso a combustíveis. Tudo isso ajuda também a reduzir o preço da inflação, que é o principal tema de preocupação hoje dos americanos", explicou.

Esta motivação econômica pode ter impactos diretos na política interna americana, especialmente considerando as próximas eleições de meio de mandato. A inflação tem sido uma das principais preocupações do eleitorado americano, e o acesso a recursos petrolíferos venezuelanos poderia ajudar a administração a controlar os preços em diversas cadeias econômicas.

Mensagem geopolítica global

Na perspectiva internacional, Martins avalia que a ação americana na Venezuela sinaliza uma visão de mundo baseada em zonas de influência. "A América Latina, na visão de Donald Trump, pertence aos Estados Unidos", afirmou o professor, referindo-se à atualização da Doutrina Monroe, que Trump chama agora de "Doutrina Don't Roe".

Esta postura, segundo o analista, estabelece um precedente para outras potências, como Rússia e China, agirem de forma semelhante em suas respectivas áreas de interesse. "Se a Rússia considera que a Ucrânia faz parte de sua zona de influência, ele terá liberdade de poder invadi-la, de poder anexá-la. O mesmo também funciona para a China com relação ao relacionamento com Taiwan", explicou.

O professor também destacou o enfraquecimento de organismos multilaterais neste cenário, citando a ausência do Conselho de Segurança da ONU nas decisões sobre a Venezuela, diferentemente do que ocorreu na invasão do Iraque em 2003. "Nenhum organismo multilateral tem a capacidade ou tem o poder de barganha para conter os Estados Unidos, ou mesmo a Rússia ou a China, em seus campos de interesse", concluiu.

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