Professor traz expectativas para encontro entre EUA, Ucrânia e Rússia

No CNN Novo Dia, professor Fernando Brancoli destaca que disputa territorial continua sendo principal obstáculo para acordo de paz

Da CNN Brasil
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Uma reunião trilateral entre autoridades dos Estados Unidos, Ucrânia e Rússia será realizada nos Emirados Árabes Unidos a partir desta sexta-feira (23). O encontro acontece em um momento crítico do conflito, quando questões territoriais continuam travando as negociações há pelo menos seis meses.

Em entrevista ao CNN Novo Dia nesta sexta-feira (23), Fernando Brancoli, professor de Relações Internacionais da UFRJ, explica que o principal impasse nas negociações está relacionado aos territórios ocupados. "A Rússia argumenta que não vai devolver uma série de espaços, de territórios, de cidades que ela vem ocupando ao longo do tempo e a Ucrânia vinha insistindo de que qualquer tipo de acordo, qualquer tipo de discussão necessariamente implicaria na retirada de soldados russos desses territórios", afirma.

 

Segundo o especialista, há sinais recentes de que a Ucrânia poderia aceitar um acordo que permita a permanência russa em territórios considerados ucranianos, desde que receba garantias de segurança dos Estados Unidos. "Ninguém tem muita certeza de como esse processo de garantia de segurança dos Estados Unidos vai funcionar. Os Estados Unidos mandariam tropas para a Ucrânia? É bastante improvável. Os Estados Unidos assinariam um acordo que diria que a Ucrânia vai ser protegida no eventual ataque no futuro? Também há certas dúvidas de que isso vai ser aplicado", ponderou Brancoli.

Desafios econômicos e militares pressionam por acordo

Apesar dos obstáculos, existem fatores que podem impulsionar as negociações. Brancoli destaca que a Ucrânia enfrenta sérios problemas econômicos, com inflação alta e êxodo populacional. "A gente está falando de uma população que ainda sai do país, obviamente. Está falando de um conflito, muita gente quer fugir, quer ir embora. Tem problemas hoje para recompor a própria força militar da Ucrânia", explica.

O professor também aponta a inconsistência no apoio militar ocidental como fator de pressão: "Os Estados Unidos tiram e colocam esse apoio militar dependendo um pouco do humor da sua liderança. E a gente deixa claro que a Europa também não tem muita capacidade de atuar sozinha dentro desse contexto".

Mesmo com esses fatores que poderiam acelerar um acordo, Brancoli se mostra cauteloso quanto à possibilidade de uma solução ainda este ano. "A quantidade de obstáculos nesse momento é bastante grande, então, eu diria que, talvez mesmo o mais otimista, está ainda um pouco ressabiado de que algo pode acontecer esse ano ainda".

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