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    Proposta russa de ajuda humanitária à Ucrânia não é aprovada pelo Conselho da ONU

    Texto não abordava papel da Rússia na crise da Ucrânia; Brasil e outros 12 membros se abstiveram

    Reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre a Ucrânia
    Reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre a Ucrânia 07/03/2022REUTERS/Carlo Allegri

    Tiago Tortellada CNN

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    A proposta de resolução da Rússia sobre o conflito da Ucrânia não foi aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU nesta quarta-feira (23). Apenas o embaixador russo e o chinês votaram a favor; todos os outros 13 membros se abstiveram, incluindo o Brasil.

    O texto elaborado fala sobre acesso à ajuda e proteção civil na Ucrânia, mas não menciona o papel de Moscou na crise. Para que o texto passasse, nove membros precisavam apoiar a resolução.

    “Em vez de especular sobre a questão, devemos adotar uma resolução que será um passo prático e importante para os esforços humanitários”, disse o embaixador russo, Vassily Nebenzya, antes da votação do projeto.

    Mais cedo, durante a sessão emergencial da Assembleia-Geral da ONU, Nebenzya criticou a proposta de resolução apresentada pela Ucrânia e apoiada por diversos países do Ocidente, que, segundo ele, foi feita “no contexto dos esforços anti-russos ou de nossos colegas ocidentais”.

    Ao defender o rascunho russo de ajuda à Ucrânia, ele disse que o Conselho “cumpriria seu papel” aprovando o texto e que se realmente estivessem preocupados com a situação humanitária no local, votariam a favor da medida.

    Ação humanitária deve ser significativa e imparcial, diz Brasil

    Logo após a votação, o embaixador brasileiro João Genésio de Almeida Filho disse que “qualquer ação humanitária empenhada por esse Conselho deve ser significativa e não deve refletir visões parciais deste conflito“.

    O embaixador explicou que um dos motivos para o Brasil se abster na votação foi o fato de o texto russo não mencionar o fim das hostilidades, assim como os “princípios de humanidade, proporcionalidade e a obrigação de tomar todas as precauções viáveis para minimizar o dano a estruturas civis e aos civis em si”.

    “O cessar das hostilidades é parte integral de tal esforço humanitário”, afirmou Almeida Filho.

    O representante do Brasil finalizou pontuando que o país continuará agindo construtivamente em qualquer processo para uma resolução humanitária, desde que a medida se mostre “significativa e transparente”.

    EUA acusam Rússia de acobertar “ações brutais”

    Antes da votação, a embaixadora dos Estados Unidos, Linda Thomas-Greenfield, acusou a Rússia de tentar mais uma vez usar o Conselho de Segurança para “dar cobertura para suas ações brutais”.

    “É realmente inconcebível que a Rússia tenha a audácia de apresentar uma resolução pedindo à comunidade internacional que resolva uma crise humana que só a Rússia criou”, disse Thomas-Greenfield.

    “Ela não se importa com a deterioração das condições humanitárias ou com as milhões de vidas e sonhos que a guerra destruiu. Se eles se importassem, eles parariam de lutar”, adicionou.

    A embaixadora dos EUA também destacou que o texto “não faz menção ao seu papel como a única causa desta crise. E nosso voto [de abstenção] mostrará que não participaremos disso”.

    Ucrânia pede apoio ao seu texto

    O embaixador ucraniano nas Nações Unidas (ONU), Sergiy Kyslytsya, pediu à Assembleia-Geral que vote a favor de seu texto que pede, em parte, a cessação imediata das hostilidades pela Federação Russa.

    O documento também lamenta as terríveis consequências humanitárias desde a invasão da Rússia e reafirma o compromisso com a soberania da Ucrânia e suas fronteiras internacionalmente reconhecidas.

    “Amanhã marca um mês desde a invasão”, disse Kyslytsya, “um mês desde que a vida dos ucranianos foi dividida em ‘duas partes’ – um passado pacífico e o agora, cheio de “guerra, sofrimento, morte e destruição”, complementou à Assembleia-Geral.

    Kyslytsya disse que o alinhamento com a resolução “enviará uma mensagem poderosa destinada a contribuir para um avanço na ação humanitária no terreno”.

    *com informações da CNN

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