Protesto no Peru deixa mortos e presidente interino sofre pressão para renunciar

Metade do novo gabinete de Manuel Merino pediu demissão; ele assumiu a presidência após o impeachment sofrido por Martín Viscarra

Marco Aquino, da Reuters

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Protesto no Peru deixou dois mortos
Protesto no Peru deixou dois mortos
Foto: CNN

O presidente interino peruano, Manuel Merino, está sob crescente pressão para renunciar, depois que metade de seu novo gabinete deixou o cargo após a morte de duas pessoas em protestos contra o impeachment de seu antecessor.

Milhares de peruanos realizaram alguns dos maiores protestos do país em décadas – a maioria pacíficos, mas alguns marcados por confrontos – desde que o Congresso votou na última segunda-feira (9) a destituição de Martín Vizcarra da presidência por acusações de suborno, que ele nega.

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A crise política chegou no momento que o Peru, o segundo maior produtor de cobre do mundo, luta contra a pandemia do coronavírus, o que deve provocar sua pior contração econômica em um século.

Os manifestantes encheram as praças no centro de Lima na tarde de sábado, com as manifestações começando de forma pacífica, mas ficando mais intensas ao anoitecer. Dois jovens manifestantes foram mortos em confrontos.

Após a violência, pelo menos nove ministros de gabinete – empossados na quinta-feira (12) – anunciaram suas renúncias, enquanto cresciam os pedidos para a saída de Merino, o ex-chefe do Congresso que liderou a pressão pelo impeachment de Vizcarra e que assumiu na terça-feira passada (10).

“O presidente Merino deve apresentar sua renúncia neste momento”, disse o novo chefe do Congresso, o legislador de centro-direita Luis Valdéz, à estação local América Televisión na manhã deste domingo (15), acrescentando que convocou uma reunião urgente de legisladores.

A assembleia nacional dos governos regionais do Peru também divulgou um comunicado exigindo a renúncia de Merino, dizendo que ele era “politicamente responsável pelos atos de violência”.

O primeiro-ministro Ántero Flores-Aráoz disse em uma entrevista à rádio RPP que se Merino renunciasse, ele também partiria. “Devo a ele respeito, consideração e lealdade, não posso deixá-lo sozinho”, disse ele.

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