Quaest: Para 66%, Brasil deve se manter neutro sobre a questão da Venezuela
Levantamento ouviu 2.004 brasileiros entre os dias 8 e 11 de janeiro; o nível de confiança é de 95%
A maioria dos brasileiros defende que o Brasil adote uma posição de neutralidade diante da crise na Venezuela e da operação conduzida pelos EUA no país. É o que aponta a pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quinta-feira (15).
Segundo o levantamento, 66% dos entrevistados afirmam que o Brasil deve se manter neutro em relação às ações dos EUA contra o ditador venezuelano Nicolás Maduro.
Outros 18% defendem que o país apoie as ações do presidente Donald Trump, enquanto 10% avaliam que o Brasil deve se opor à operação americana. 6% não souberam ou não quiseram responder.
Na mesma rodada da pesquisa, 46% dos brasileiros disseram aprovar a operação dos EUA na Venezuela, enquanto 39% desaprovam.
A pesquisa ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais, em entrevistas presenciais realizadas entre os dias 8 e 11 de janeiro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Captura de Maduro
Na madrugada de 3 de janeiro de 2026, por volta das 3h no horário de Brasília, forças dos Estados Unidos realizaram uma operação que mudaria o curso recente da política latino-americana.
Em uma ação descrita por Washington como “conjunta com autoridades policiais”, o ditador venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados em Caracas.
Uma semana depois, a operação continua a reverberar em tribunais, chancelarias e mercados internacionais, enquanto o futuro da Venezuela permanece em aberto.
A ação foi o resultado de meses de planejamento e de ensaios considerados entre os mais complexos já conduzidos pelo aparato de segurança americano.
Desde o primeiro anúncio, a Casa Branca informou que a captura se tratava apenas de um episódio policial. No entanto, tratou-se de um movimento com profundas implicações geopolíticas.
O governo americano vinha, há anos, classificando Maduro como criminoso. Em 2020, durante o primeiro mandato de Trump, o líder venezuelano foi acusado no Distrito Sul de Nova York por “narcoterrorismo”, conspiração para importar cocaína e outros crimes.
Na época, os Estados Unidos ofereceram uma recompensa de 15 milhões de dólares por informações que levassem à sua prisão.
A pressão aumentou ao longo dos anos. O valor subiu para 25 milhões de dólares no início de 2025, nos últimos dias do governo Biden, e chegou a 50 milhões de dólares em agosto de 2025, já sob o novo mandato do republicano.
Nesse período, Washington também classificou o chamado Cartel de los Soles como organização terrorista estrangeira, alegando que Maduro seria o líder da estrutura criminosa.
A confirmação da captura veio na manhã do próprio sábado (3), em uma publicação do presidente americano nas redes sociais. Trump descreveu a ação como um êxito de cooperação policial.


