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    Turquia, Israel, Irã e Opep: 4 pontos para prestar atenção no Oriente Médio em 2023

    Fatores como o isolamento do Irã, o corte na produção de petróleo pela Opep e a volta de Israel para a direita tornam a região um foco de atenção para o mundo

    Abbas Al Lawatida CNN

    Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos

    O evento que dominou a agenda de notícias do mundo em 2022 foi a guerra da Ucrânia e suas diversas repercussões no mundo. O impacto do conflito foi sentido profundamente no Oriente Médio, seja no fornecimento de energia da região, seja nas vias navegáveis estratégicas, e até mesmo no papel fundamental das indústrias de armas locais na guerra.

    No ano passado, os adversários do Ocidente reforçaram os laços com os estados do Oriente Médio, muitas vezes em detrimento das relações com parceiros ocidentais.

    Os estados do Golfo, que queriam permanecer neutros, viram-se numa posição desconfortável com seus aliados tradicionais no Ocidente quando tiveram de escolher os lados na guerra da Ucrânia.

    Talvez sem querer, a guerra também aproximou da Rússia ainda mais os produtores árabes de petróleo que fazem parte do cartel petrolífero da Opep, causando a ira dos Estados Unidos. Com as relações da China com os EUA se desgastando, os chineses buscaram fortalecer os laços com a Arábia Saudita.

    Mas, mesmo que as relações com o Oriente Médio tenham variado de intensidade, a relevância da região permaneceu intacta e, talvez, tenha até aumentado. A Europa vem procurando cada vez mais garantir sua segurança energética com parceiros na região. O Catar, que sediou a Copa do Mundo da Fifa 2022, deverá se tornar um fornecedor de gás ainda mais significativo para a Europa nos próximos anos.

    Enquanto isso, dois vizinhos do Oriente Médio, Irã e Turquia, assumiram lados opostos da guerra na Ucrânia. Os drones feitos nos dois países tiveram um impacto significativo no campo de batalha.

    A guerra viu crescer a proeminência internacional da Turquia, seja através das suas tentativas de mediação entre as partes beligerantes, seja por seu posicionamento na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que paralisou a expansão da aliança.

    Tudo isso deu um impulso interno ao presidente Recep Tayyip Erdogan, que encara a economia instável do país após uma recessão impulsionada pela inflação.

    Veja o que pode acontecer no Oriente Médio em 2023:

    O teste do poder de Erdogan nos 100 anos da Turquia

    O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, estabeleceu um ambicioso conjunto de objetivos para a nação em seu centenário, celebrado em 2023. Mas, ao mesmo tempo, Erdogan vai precisar de muito foco para se manter no poder.

    A moeda turca, a lira, vem perdendo valor nos últimos quatro anos e o custo de vida tem aumentado em consequência das políticas monetárias pouco ortodoxas e amplamente criticadas de Erdogan, que se afastaram do aumento das taxas de juro para reduzir a inflação.

    Junto com os anos de fadiga do governo e uma nova geração de eleitores que está à procura de mudança, 2023 pode potencialmente marcar o declínio do controle de Erdogan no poder.

    As eleições, que devem ocorrer no meio do ano, dominaram a agenda interna da Turquia durante grande parte do ano passado. Pela primeira vez em anos, a oposição – pelo menos por enquanto – parece unida em busca de um candidato que poderia derrotar Erdogan.

    No ano passado, o presidente sofreu um grande revés nas pesquisas, com a diminuição de seu índice de aprovação. Projetado e implementado pelo próprio Erdogan, o sistema presidencial requer uma maioria de 50% mais 1 nas eleições – uma proposta difícil para o líder à medida que a economia desacelera.

    Na frente internacional, o aliado-chave da Otan continua equilibrando sua aliança desconfortável com os EUA e a Europa.

    O apoio contínuo dos EUA a um grupo armado curdo na Síria – que a Turquia considera como uma ameaça nacional –e um relacionamento pessoal frio entre Erdogan e o presidente dos EUA Joe Biden reforçam a relação tensa.

    As disputas não resolvidas com a Grécia a respeito das fronteiras marítimas no Mediterrâneo, bem como uma guerra de palavras sobre um destacamento militar grego nas pequenas ilhas do Egeu perto da Turquia, continuam aumentando as tensões com a Europa.

    A relação com o continente pode ou não melhorar para além da cooperação, mantendo migrantes e refugiados confinados à Turquia, mas isso vai depender de encontrar interesses em comum.

    Quando se trata da Ucrânia, a posição turca, independentemente de quem ganhe as eleições, permanecerá em grande parte inalterada. A política de “neutralidade pró-ucraniana”, como é chamada localmente, se pagou com um acordo global de grãos de muito impacto e impediu a economia turca de se enfraquecer ainda mais.

    Presidente da Turquia, Tayyip Erdogan / 08/06/2022. REUTERS/Umit Bektas/File Photo

    A volta de Israel para a direita

    Israel tem um novo governo e, embora ele seja liderado por um rosto familiar, Benjamin Netanyahu, inclui algumas das figuras mais à extrema direita a ocupar posições ministeriais na história israelense.

    Vale destacar especialmente Itamar Ben Gvir, ministro da segurança nacional encarregado da polícia israelense, e Bezalel Smotrich, ministro das finanças que terá voz nas políticas que afetam o movimento de palestinos na Cisjordânia ocupada. Os dois são advogados de direita, defensores de assentados, que se tornaram políticos e já foram considerados na margem mais extrema da política israelense.

    Os dois ministros alarmaram a comunidade internacional, incluindo os Estados Unidos, que estão preocupados que suas ações possam deteriorar ainda mais a segurança no país. Ben Gvir e seus aliados falaram abertamente sobre a mudança do status quo no local mais sagrado de Jerusalém – conhecido como Monte do Templo para os judeus e Haram al-Sharif para os muçulmanos – onde apenas os muçulmanos têm permissão para orar. Mas as ações no complexo no passado desencadearam uma revolta e até uma guerra.

    Depois, há a Cisjordânia, onde Smotrich terá uma grande força na determinação de políticas. A cooperação de segurança entre as forças militares israelenses e as forças de segurança palestinas, que há muito é vista pelos líderes israelenses como uma chave para manter a calma da Cisjordânia, foi extremamente tensa no ano passado – um dos anos mais sangrentos tanto para israelenses como para palestinos.

    Netanyahu sempre dirigiu seus governos como um show só seu, muitas vezes assumindo outros papéis, como o de ministro das relações exteriores. Em entrevistas recentes, Netanyahu afirmou várias vezes que ele e seu partido Likud ditarão a política. Mas aliados como os líderes da comunidade judaica nos EUA estão preocupados que Netanyahu possa ter construído algo que ele não será capaz de controlar totalmente. Uma das maiores questões é como o governo Biden trabalhará com o governo israelense – e se irá interagir com os dois ministros controversos. Até agora, os EUA estão adotando uma abordagem de compasso de espera. O secretário de Estado Antony Blinken disse em dezembro que os EUA irão julgar o governo israelense “pelas políticas e não pelas personalidades individuais”.

    Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu / 03/01/2023 Atef Safadi/Pool via REUTERS

    Uma Opep mais coesa

    Quando o cartel de nações exportadoras de petróleo e aliados, conhecido como Opep+, que inclui a Arábia Saudita e a Rússia, decidiu em outubro cortar a produção em dois milhões de barris por dia, o ato foi visto por observadores como uma aposta política dos sauditas, líderes de fato do grupo.

    O corte maior do que o habitual foi interpretado nos EUA como uma tentativa de elevar os preços do petróleo antes das eleições de meio de mandato, momento em que o Ocidente tentava sufocar as receitas do petróleo russo que financiavam a guerra.

    Entretanto, poucas semanas após os cortes, os preços do petróleo caíram para níveis pré-guerra em meio a preocupações com uma iminente recessão global e uma lenta saída chinesa dos lockdowns da Covid-19. A queda levou o ministro da energia saudita, o príncipe Abdulaziz bin Salman, a reiterar que a decisão do cartel estava certa e não era politicamente motivada.

    A queda de preço foi benéfica para a imagem do príncipe no grupo, de acordo com Amena Bakr, correspondente-chefe da Opep da Energy Intelligence, uma empresa global de informações sobre energia com sede nos EUA.

    “Espero que 2023 seja um ano em que a Opep permaneça muito unida”, afirmou a especialista, acrescentando que uma Rússia globalmente isolada precisa da aliança e é provável que acompanhe as decisões do grupo.

    Uma incerteza que pode persistir em 2023, no entanto, é como os limites de preços impostos pelas nações ocidentais ao petróleo russo em dezembro podem afetar o mercado e, por sua vez, o preço global do petróleo.

    Como resultado da nova imposição, a Rússia disse que pode cortar a produção em até 700 mil barris por dia. Mas a Energy Intelligence prevê que a produção russa de petróleo brent e condensado de petróleo pode cair em até 1,2 milhão de barris por dia, segundo Bakr.

    Isso representa mais de 1% da oferta global. Se uma lacuna surgir no mercado, o cartel pode até considerar adicionar mais barris.

    É provável que os estados do Golfo também se tornem importantes fornecedores de gás para a Europa conforme o continente se afasta das provisões da Rússia. O Catar assinou seu primeiro acordo de gás com a Alemanha em 2022 e fechou outro com a França.

    Já os Emirados Árabes Unidos assinaram acordos de gás com a Alemanha e a Áustria. O país também foi elogiado por autoridades europeias como um futuro exportador de energias renováveis para a Europa.

    Bomba de óleo impressa em 3D na frente do logotipo da Opep (que, em inglês, é Opec) / FOTO DO ARQUIVO: Uma bomba de óleo impressa em 3D fica diante do logotipo da OPEP nesta ilustração datada de 14 de abril de 2020. REUTERS/Dado Ruvic

    Um Irã cada vez mais isolado

    Enquanto a comunidade internacional acompanhava as ambições regionais do Irã e a negociação interminável do acordo nuclear no ano passado, toda uma geração de mulheres reprimidas abalava os alicerces da República Islâmica.

    Depois de Mahsa Jina Amini, de 22 anos, ter morrido sob a custódia da notória polícia moral da nação, o governo passou a enfrentar manifestantes nas ruas de quase todas as grandes cidades em um dos maiores desafios para a República Islâmica desde a revolução de 1979 que a levou ao poder.

    Os protestos, e o apoio do Irã à invasão da Ucrânia pela Rússia, complicaram ainda mais as relações de Teerã com o Ocidente, tornando ainda mais difícil alcançar um acordo nuclear bem-sucedido. A forma como os protestos se desenrola pode ditar o curso das relações internas, regionais e estrangeiras da República Islâmica em 2023.

    Nos últimos dias, as manifestações ficaram mais brandas e, embora o governo trabalhe ativamente numa estratégia de dissuasão, está claro que uma barreira de medo foi quebrada.

    Mas, se não bastassem os problemas domésticos, o Irã está agora também lidando com a mudança da geopolítica internacional. Elas incluem uma parceria entre a China e a Arábia Saudita e a posição da Rússia, um antigo aliado do Irã, que agora está completamente envolvida numa guerra prolongada.

    A continuação das sanções ocidentais incapacitantes contra o Irã empurrou o país ainda mais para o leste, até a China, seu maior parceiro comercial. Em 2021, um pacto estratégico de “cooperação” de 25 anos no valor de US$ 400 bilhões em acordos de investimento foi assinado entre as duas nações.

    No entanto, com a Arábia Saudita e o Irã seguindo com relações diplomáticas cortadas e com o príncipe herdeiro saudita, Mohammed Bin Salman, pendendo para o lado de Xi numa briga saudita com Biden sobre a Opep, o desenvolvimento das relações entre China e Arábia Saudita – e seu efeito na República Islâmica – são pontos a observar com atenção em 2023.

    Regionalmente, o arqui-inimigo do Irã, Benjamin Netanyahu, está de volta ao poder em Israel, com a sua atenção focada no programa nuclear de Teerã.

    Com um Líder Supremo adoecido, a elite do poder no Irã pode estar tentando lançar um sucessor. Ao mesmo tempo, a Força Quds de elite lembra o terceiro aniversário da perda de seu líder Qassem Soleimani, o que tem reflexo direto nas tentativas do Iraque de romper com a influência do Irã.

    Protesto, em Teerã, pela morte de Mahsa Amini, mulher que morreu após ser presa pela “polícia da moral” da República Islâmica / 21/09/2022 WANA (West Asia News Agency) via REUTERS

    Resumo

    Polícia iraniana detém jogadores de futebol em festa

    A polícia iraniana prendeu brevemente vários jogadores de futebol da primeira divisão, cujos nomes não foram revelados, ao fazer uma batida em uma festa de réveillon na qual álcool era servido, em violação de uma proibição islâmica.

    A notícia foi dada pela Reuters, tendo a mídia iraniana como fonte. A agência de notícias semioficial Tasnim disse que vários jogadores atuais e ex-membros de um time foram detidos. A agência de notícias YJC disse que a reunião foi uma festa de aniversário, e acrescentou que todos os detidos foram liberados, exceto uma pessoa, que não é um jogador de futebol.

    Beber álcool e socializar homens e mulheres que não são casados são atos proibidos sob as leis islâmicas do Irã. As restrições sociais estão entre as questões que motivaram a agitação em massa nos últimos meses, após a morte sob custódia de uma mulher acusada de violar o estrito código de vestimenta.

    Os jogadores de futebol do Irã entraram na mira de ativistas da oposição por participarem da Copa do Mundo da Fifa no Catar sob a bandeira do regime. A seleção iraniana se absteve de cantar o hino nacional do regime em uma das partidas. As forças de segurança no torneio disseram à CNN que famílias de membros da seleção foram ameaçadas de prisão e tortura se os jogadores não “se comportassem”.

    Dubai retira imposto de 30% sobre as vendas de álcool graças à competição regional

    Dubai suspendeu um imposto de 30% sobre o álcool e reduziu uma taxa de licença necessária para comprar álcool na cidade, segundo confirmaram dois grandes varejistas do país. As mudanças entraram em vigor no domingo e valerão por um período experimental de um ano, de acordo com a mídia local.

    A economia de Dubai recuperou-se rapidamente da pandemia de Covid-19, com o PIB crescendo 4,6% ao ano nos primeiros nove meses de 2022. O turismo é um pilar fundamental da economia, e o número de turistas cresceu mais de 180% no primeiro semestre de 2022 em relação ao mesmo período de 2021.

    Dubai compete com as cidades vizinhas do Golfo para atrair turistas estrangeiros, talentos e investimentos. Seu status ultimamente tem sido ameaçado pela Arábia Saudita, que está investindo bilhões de dólares em turismo, entretenimento e esporte.

    Nos últimos dois anos, os Emirados Árabes Unidos relaxaram as restrições sociais para serem um destino mais atraente para os estrangeiros. Espera-se que a mais recente mudança de Dubai aumente ainda mais o seu apelo para os turistas.

    Catar reintroduz a exigência de PCR para viajantes da China

    O Catar voltou a pedir testes de PCR negativo para o coronavírus de 48 horas para viajantes que chegam ao estado do Golfo vindos da China, disse o Ministério da Saúde do Catar no domingo (1). As alterações entraram em vigor na terça-feira (3).

    Depois de impor rigorosas políticas de testes e quarentena durante a pandemia, o Catar suspendeu os requisitos de testes da Covid-19 para viajantes em novembro, antes da Copa do Mundo.

    O Catar é o país mais recente a impor medidas rigorosas aos viajantes da China, que enfrenta alta de casos. Os turistas chineses costumam usar hubs do Oriente Médio como Doha, Dubai e Abu Dhabi para voar para o Ocidente. Dubai, que ainda não impôs novas medidas aos viajantes da China, é um dos principais destinos para turistas do país.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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