Quem é Reza Pahlavi, herdeiro exilado da monarquia do Irã

Opositor do regime dos aiatolás publicou vídeos apoiando os protestos contra o governo iraniano

Tiago Tortella, da CNN Brasil, em São Paulo
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O regime iraniano enfrenta um dos maiores desafios à sua continuidade com os protestos antigoverno no início de 2026.

De toda forma, analistas ponderam se é possível que a revolta popular derrube o comando dos aiatolás, que começou em 1979, com a Revolução Islâmica.

Isso porque a oposição no Irã é fragmentada em diversos grupos que não têm apoio claro da maior parte da população.

Um desses grupos inclui os monarquistas, que gostariam da volta da dinastia dos xás -- que foi derrubada exatamente pela revolução de 1979.

Reza Pahlavi é atualmente herdeiro exilado do que seria a monarquia iraniana. Ele vive nos Estados Unidos e publicou vídeos apoiando os protestos.

Porém, apoiar a monarquia deposta é muito mais do que um tabu no Irã: também é um crime. Isso faz com que o apoio a Pahlavi dentro do país seja difícil de medir.

Ele afirmou estar disposto a liderar o Irã em uma transição, caso os manifestantes consigam derrubar o regime nestes protestos. No entanto, é vago quanto aos detalhes de seus planos, e seus críticos dizem que sua inexperiência pode em breve se voltar contra ele.

Quem é Reza Pahlavi?

Reza Pahlavi nasceu em Teerã, capital do Irã, em 31 de outubro de 1960, filho de Mohammad Reza Shah e Farah Pahlavi.

Ele tem uma meia-irmã, Shahnaz Pahlavi, duas irmãs, Farahnaz Pahlavi e Leila Pahlavi (já falecida), e um irmão, Ali-Reza Pahlavi (já falecido).

Reza foi oficialmente nomeado príncipe herdeiro em 1967, com a coroação do pai.

Em 1978, aos 17 anos, deixou o Irã para fazer treinamento de piloto de caça na Força Aérea dos Estados Unidos, na Base Aérea de Reese, em Lubbock, no Texas.

Quase no mesmo período, houve a Revolução Islâmica, derrubando a monarquia e fazendo com que a família de Pahlavi deixasse o país em janeiro de 1979.

Com a instauração do regime dos aiatolás, Reza não pôde retornar à sua terra natal.

Ele concluiu o programa de treinamento da Força Aérea dos Estados Unidos, além de estudos no ensino superior, obtendo um diploma em ciência política pela Universidade do Sul da Califórnia.

Segundo o site oficial de Pahlavi, ele se ofereceu para servir às Forças Armadas iranianas como piloto de caça durante a guerra Irã-Iraque, mas a oferta foi recusada pelo regime clerical.

Ele se casou com Yasmine Etemad-Amini em 12 de junho de 1986, com quem tem três filhas: Noor Pahlavi, Iman Pahlavi e Farah Pahlavi.

Ainda de acordo com informações de sua equipe, Reza Pahlavi mantém contato constante com grupos de oposição, tanto dentro quanto fora do Irã.

Além disso, viaja pelo mundo se encontrando com chefes de Estado, legisladores, grupos de interesse e grupos estudantis, falando sobre a situação dos iranianos.

"Ele se manifesta consistentemente contra os abusos e a opressão generalizados do povo iraniano e clama pelo estabelecimento de uma democracia laica no Irã. Defende a mudança de regime por meio da desobediência civil não violenta e um referendo livre e aberto para a formação de um novo governo no Irã", diz o site de Pahlavi.

Além de diversos artigos, Reza Pahlavi escreveu três livros sobre a situação no Irã: Gozashteh va Ayandeh, Winds of Change: The Future of Democracy in Iran e IRAN: L’Heure du Choix.

Vídeos

No vídeo — divulgado como comunicado oficial neste sábado — Pahlavi classificou a ação americana como uma “intervenção humanitária” direcionada não contra o povo iraniano, mas contra o que chamou de “aparato repressivo” da República Islâmica.

Meus queridos compatriotas, momentos de destino estão diante de nós. A ajuda que o presidente dos Estados Unidos havia prometido ao bravo povo do Irã agora chegou. Esta é uma intervenção humanitária e seu alvo é a República Islâmica, seu aparato repressivo e sua máquina de massacres — não o país e a grande nação do Irã.

Apesar disso, declarou que a “vitória final” dependerá dos próprios iranianos.

Mas, mesmo com a chegada dessa ajuda, a vitória final ainda será forjada por nossas próprias mãos. Somos nós, o povo do Irã, que concluiremos o trabalho nesta batalha final. O momento de voltar às ruas está próximo.

Pahlavi também dirigiu uma mensagem às Forças Armadas, à polícia e às forças de segurança do país, pedindo que “se juntem ao povo” e defendam a nação, e não o regime.

Agora que a República Islâmica está colapsando, minha mensagem às Forças Armadas, à polícia e às forças de segurança do país é clara: vocês juraram proteger o Irã e o povo iraniano — não a República Islâmica e seus líderes. Seu dever é defender o povo, não um regime que tomou nossa pátria como refém por meio da repressão e do crime. Juntem-se ao povo e ajudem a promover uma transição estável e segura. Caso contrário, vocês afundarão com o navio de Khamenei e seu regime.

Ao presidente dos Estados Unidos, identificado por ele como presidente Trump, Pahlavi pediu cautela para preservar vidas civis durante as operações militares.

E minha mensagem ao presidente dos Estados Unidos, presidente Trump, é esta: o nobre povo do Irã, apesar da repressão brutal e dos massacres deste regime, manteve-se firme com coragem por quase dois meses. Agora peço que exerça a máxima cautela para preservar a vida de civis e de meus compatriotas. O povo do Irã é aliado natural dos Estados Unidos e do mundo livre, e jamais esquecerá seu apoio no período mais difícil da história contemporânea iraniana.