Regime do Irã não depende da figura de Khamenei, diz especialista

Em entrevista à CNN, o cientista político Hussein Kalout, explica que a estrutura de poder no Irã é horizontalizada e depende de múltiplas forças políticas, não sendo um regime personalista

Da CNN Brasil
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Após a morte de Ali Khamenei, o debate internacional se intensifica sobre o futuro político do Irã e a possível influência externa no país. Na avaliação do cientista político e pesquisador de Harvard Hussein Kalout, em entrevista concedida ao CNN Prime Time, o regime iraniano possui uma estrutura de poder horizontalizada que não depende exclusivamente da figura do líder supremo.

"O regime iraniano não é de corte personalista, ele não depende da figura do líder supremo, ele não é uma estrutura de um regime verticalizado, ele é um regime horizontalizado", explicou.

 

 

Segundo o especialista, o sistema político iraniano depende de múltiplas forças políticas e não pode ser facilmente modificado por pressões externas.

Kalout criticou a avaliação do governo americano sobre o funcionamento do regime iraniano, classificando-a como um "erro terrível". Para ele, os Estados Unidos não compreendem como o sistema político do Irã se estrutura e se dimensiona. "Eles não têm a mais remota noção de como o regime iraniano funciona", afirmou.

Sucessão de Khamenei e equilíbrio de forças

O processo de sucessão do líder supremo, segundo o pesquisador, ocorrerá a partir de um processo de acomodação e diálogo entre as diversas forças políticas que compõem o regime iraniano.

"O regime iraniano não é um regime monolítico, ele é um regime que também é composto por forças adversárias dentro do regime. Você tem os teocratas, você tem a guarda revolucionária, você tem os reformistas e você tem os moderados", detalhou.

A Guarda Revolucionária, destacou Kalout, é peça fundamental nesse processo por ser "a garante da estabilidade securitária do país". Trata-se de um aparato muito estruturado e transversal, que atravessa várias instituições do país. O especialista ressaltou que estas diferentes correntes, embora antagônicas entre si, tendem a se unir em momentos críticos como o atual.

Um ponto crucial nesse processo de sucessão, segundo Kalout, será definir o perfil do novo líder: "Eles vão querer um líder supremo aberturista ou um líder supremo ultraconservador?" O pesquisador lembrou que Khamenei permitiu o diálogo com o Ocidente e a negociação do acordo nuclear, caracterizando-se como um líder que, em certos momentos, demonstrou abertura para negociações internacionais.

Diante do atual cenário de tensão militar na região, com ataques israelenses a Teerã sendo reportados, Kalout avalia que os iranianos não aceitariam um cessar-fogo imediato e tenderiam a prolongar o conflito. "Quanto mais a guerra durar da perspectiva iraniana, isso gerará maior custo para os Estados Unidos. Com o fechamento do Estreito de Hormuz, isso gerará maior impacto econômico no mundo, vai encarecer o barril de petróleo, vai gerar impacto sobre as cadeias econômicas", concluiu.

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