Rei Charles III concorda que Irã não deve ter arma nuclear, diz Trump
Comentário do presidente americano aconteceu durante um jantar com o monarca e autoridades de alto escalão na Casa Branca

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na noite desta terça-feira (28) que o rei Charles III não deseja que o Irã possua uma arma nuclear, introduzindo o tema da guerra no Oriente Médio em comentários feitos durante o jantar de Estado na Casa Branca em homenagem ao monarca.
O evento ocorreu no segundo dia de uma visita de quatro dias aos Estados Unidos, em um momento de tensão nas relações bilaterais, após Trump ter criticado repetidamente o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, pelo que Trump considera falta de apoio na condução da guerra contra o Irã.
"Estamos trabalhando um pouco no Oriente Médio agora e estamos indo muito bem", disse Trump no jantar.
"Derrotamos militarmente esse adversário em particular e nunca permitiremos que ele – Charles concorda comigo ainda mais do que eu – nunca permitiremos que esse adversário tenha uma arma nuclear", afirmou o presidente americano.
Em seus próprios comentários após Trump, Charles não mencionou o Irã ou a guerra. O rei não é porta-voz do governo britânico.
Questionada sobre os comentários feitos durante o jantar de Estado, a Embaixada Britânica em Washington encaminhou a Reuters ao Palácio de Buckingham, que não respondeu imediatamente ao pedido de comentário.
Em um discurso anterior ao Congresso, Charles não mencionou diretamente a guerra com o Irã, mas fez referência às críticas de Trump à Otan, destacou a importância da continuidade do apoio dos EUA à Ucrânia em sua guerra contra a Rússia e os perigos do isolacionismo.
Tanto o Reino Unido quanto os Estados Unidos têm mantido, ao longo dos anos, que Teerã não deve desenvolver armas nucleares.
Teerã, que não possui armas nucleares confirmadas, nega que busca desenvolver uma, mas afirma ter o direito de desenvolver tecnologia nuclear para fins pacíficos, incluindo o enriquecimento, como signatária do Tratado de Não Proliferação Nuclear.
O discurso do rei
Para uma figura constitucionalmente obrigada a permanecer acima da política, o discurso do rei Charles III diante do Congresso dos EUA na tarde desta terça-feira foi tão firme quanto se poderia esperar. Charles, de forma sutil – mas com certa força – respondeu a várias questões com as quais o presidente Donald Trump tem se confrontado com o Reino Unido nos últimos meses.
No início deste ano, Trump criticou os esforços da Otan no Afeganistão, afirmando sem fundamento que eles “ficaram um pouco atrás” das linhas de frente.
Charles destacou em seu discurso que, após os ataques terroristas de 11 de setembro, os EUA se tornaram o primeiro (e, até agora, único) país a invocar o Artigo 5 da Otan.
“Respondemos ao chamado juntos – como nossos povos têm feito por mais de um século, ombro a ombro, através de duas Guerras Mundiais, a Guerra Fria, o Afeganistão e momentos que definiram nossa segurança compartilhada”, disse Charles.
Trump também recentemente desdenhou dos porta-aviões da Marinha Real Britânica, chamando-os de meros “brinquedos”. Novamente, Charles discretamente respondeu, dizendo que serviu “com imenso orgulho” na marinha há mais de 50 anos – assim como muitos de seus ancestrais.
Em questões de política externa, o rei – um fervoroso ambientalista – instou seu público a proteger o "esplendor natural" da América e “decidir como lidar com o colapso dos sistemas naturais críticos”. Charles tem sido um grande defensor das políticas ambientais que seu anfitrião, o presidente, descartou como uma "fraude".
No entanto, houve dois pontos que ele preferiu não abordar diretamente. Ao ouvir o discurso de Charles, não se saberia que os Estados Unidos estavam atolados em uma guerra com o Irã, o que gerou grandes choques na economia global e causou enorme atrito entre Washington e Londres. O monarca fez uma referência fugaz a um “conflito” no Oriente Médio no início de seu discurso, e então seguiu em frente.
O segundo assunto que Charles preferiu evitar foi o escândalo envolvendo o falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein. Além de uma vaga menção às “vítimas de alguns dos males que, tão tragicamente, existem em ambas as nossas sociedades hoje”, Charles não abordou o tema.
Em atualização*


